{"id":1438544,"date":"2026-06-03T08:30:00","date_gmt":"2026-06-03T08:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1438544"},"modified":"2026-06-26T11:14:52","modified_gmt":"2026-06-26T14:14:52","slug":"manaus-para-quem-ainda-nao-viu-a-amazonia-de-arvore-marcada-por-onca-ao-ciclo-da-borracha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1438544","title":{"rendered":"Manaus para quem ainda n\u00e3o viu a Amaz\u00f4nia: de \u00e1rvore marcada por on\u00e7a ao Ciclo da Borracha"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<p>A mais de 40 metros de altura sobre as copas das \u00e1rvores em <b>Manaus<\/b>, nuvens baixas serpenteiam a vegeta\u00e7\u00e3o no inverno amaz\u00f4nico. \u201cS\u00e3o os rios voadores, \u00e9 a floresta respirando\u201d, diz a guia \u2013 e j\u00e1 explico como chegar ali. N\u00f3s testemunhamos o nascimento dos rios voadores, carregados para o resto do Brasil pelo vento, respons\u00e1veis por regular o clima tropical que os brasileiros conhecem t\u00e3o bem. \u00c9 onde come\u00e7a tudo isso.<\/p>\n<p>Manaus \u00e9 o ponto de partida para ver um tronco de \u00e1rvore marcado pelas garras de uma on\u00e7a-pintada e entrar em cavernas que parecem ter sido esculpidas. \u00c9 uma <b>viagem<\/b> no tempo pelo Ciclo da Borracha com arquitetura ecl\u00e9tica de grandes constru\u00e7\u00f5es. \u00c9 inesquec\u00edvel tamb\u00e9m pela gastronomia vers\u00e1til, desde formigas tanajuras ao pirarucu, o maior peixe de \u00e1gua doce do mundo.<\/p>\n<p>Os passeios poss\u00edveis na capital amazonense s\u00e3o de selva e hist\u00f3ria: por um lado, Encontro das \u00c1guas, Museu da Amaz\u00f4nia, <b>ecoturismo<\/b> em grutas e cachoeiras; por outro, Teatro Amazonas, Pal\u00e1cio Rio Negro e Mercado Municipal. Mas \u00e9 preciso planejar, porque o Estado n\u00e3o \u00e9 sempre o mesmo e as experi\u00eancias podem ser diferentes dependendo da \u00e9poca.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/DVMSG2ZZPFCDPCQQKDBDUPXQIE.jpeg?auth=f30d81617b12f919b0177ac3ae31d1d01bc797530ae0931444d225b6d1724664&amp;smart=true&amp;width=4032&amp;height=3024\" alt=\"Trilha de acesso \u00e0 Caverna do Maroaga, na cidade de Presidente Figueiredo\" width=\"4032\" height=\"3024\" \/><figcaption>Trilha de acesso \u00e0 Caverna do Maroaga, na cidade de Presidente Figueiredo<\/figcaption><\/figure>\n<p>As esta\u00e7\u00f5es do ano s\u00e3o trocadas em rela\u00e7\u00e3o ao resto do Brasil e a din\u00e2mica da floresta influencia completamente no tipo de passeio. No ver\u00e3o, de junho a novembro, a \u00e9poca seca favorece mais os passeios ao ar livre e, por isso, \u00e9 alta temporada na regi\u00e3o. J\u00e1 o inverno amaz\u00f4nico, entre dezembro e maio, \u00e9 o per\u00edodo mais chuvoso e, nos momentos de pico, os igap\u00f3s (partes alagadas da floresta) ficam inundados.<\/p>\n<p>Fiquei hospedada no Juma \u00d3pera Hotel, no centro hist\u00f3rico de Manaus, em frente ao Teatro Amazonas e do Largo Sebasti\u00e3o, pra\u00e7a onde se concentram bares, restaurantes e lojas de artesanato. A di\u00e1ria para duas pessoas, no inverno amaz\u00f4nico, custa a partir de R$ 1,7 mil, segundo a Booking.com, plataforma de servi\u00e7os tur\u00edsticos que convidou o <i>Viagem<\/i> para este roteiro. O hotel \u00e9 bem localizado. Uma volta nos arredores \u00e9 suficiente para se alimentar bem, tanto no restaurante Caxiri, para quem busca pratos mais elaborados, ou no Tambaqui de Banda, para quem quer aproveitar petiscos amaz\u00f4nicos e drinks diferentes.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/CPLD7CHEWJEAVIANEBAQIHF23U.jpeg?auth=2e3930bc60184d3a2692c996bae1f055010aba49a582b521bad3acfbab300367&amp;smart=true&amp;width=3024&amp;height=4032\" alt=\"Caboco enrolado: banana pacov\u00e3 frita enrolada no pirarucu refogado com cream cheese\" width=\"3024\" height=\"4032\" \/><figcaption>Caboco enrolado: banana pacov\u00e3 frita enrolada no pirarucu refogado com cream cheese<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Os rios voadores da Amaz\u00f4nia<\/h3>\n<p>Ainda na capital, na divisa que forma uma reta quase perfeita entre cidade e floresta, est\u00e1 o Museu da Amaz\u00f4nia (Musa), um espa\u00e7o onde h\u00e1 estudo da biodiversidade (como na casa das serpentes e dos aracn\u00eddeos), exposi\u00e7\u00f5es, trilhas e uma torre de observa\u00e7\u00e3o com cerca de 40 metros de altura. \u00c9 desse ponto que d\u00e1 para ter no\u00e7\u00e3o do tamanho da floresta, numa extens\u00e3o visual verde at\u00e9 a linha do horizonte. E, pelo menos no inverno regional \u2013 estive l\u00e1 em janeiro \u2013, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel visualizar os rios voadores, conforme descrevi no in\u00edcio do texto.<\/p>\n<p>\u201cEssa colora\u00e7\u00e3o branca, que parece fuma\u00e7a saindo das \u00e1rvores, se chama evapotranspira\u00e7\u00e3o. A floresta leva \u00e1gua para a atmosfera, formando os rios voadores que circulam por todo o Brasil. S\u00e3o eles que levam a chuva. Se h\u00e1 desmatamento e queimada, o ambiente fica mais quente e causa um desequil\u00edbrio da floresta, principalmente nessa fase do processo. Por isso, \u00e9 importante a preserva\u00e7\u00e3o e a conscientiza\u00e7\u00e3o de que a Amaz\u00f4nia \u00e9 vida\u201d, explica a guia Socorro Barroso.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/WUTAGX7RINA67FYGPGALSK6NKQ.jpeg?auth=c6d73434367c7e73fc42bb1a46ee2742ab10cf67c4eb2ac2031dff4c60721752&amp;smart=true&amp;width=5712&amp;height=4284\" alt=\"O fen\u00f4meno da evapotranspira\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores formam os 'rios voadores' na Floresta Amaz\u00f4nica\" width=\"5712\" height=\"4284\" \/><figcaption>O fen\u00f4meno da evapotranspira\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores formam os &#8216;rios voadores&#8217; na Floresta Amaz\u00f4nica<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Musa, por estar dentro de uma reserva ambiental de aproximadamente 10 mil hectares dentro da Floresta Amaz\u00f4nica, concentra diversidade de animais e plantas preservadas da floresta nativa. No inverno amaz\u00f4nico, por conta das chuvas, a observa\u00e7\u00e3o dos animais silvestres pode ficar comprometida, j\u00e1 que eles tendem a se dispersar pela mata.<\/p>\n<p>\u00c9 por essa raz\u00e3o, tamb\u00e9m, que muitos deixam para visitar a regi\u00e3o durante o per\u00edodo de ver\u00e3o local. A proximidade com parte da fauna local, neste passeio em espec\u00edfico, se restringiu \u00e0s casas de estudo dentro do museu, onde \u00e9 poss\u00edvel observar aracn\u00eddeos e serpentes em um ambiente controlado. O valor da entrada no museu \u00e9 a partir de R$ 40 com guia.<\/p>\n<blockquote><p>Essa colora\u00e7\u00e3o branca, que parece fuma\u00e7a saindo das \u00e1rvores, se chama evapotranspira\u00e7\u00e3o. A floresta leva \u00e1gua para a atmosfera, formando os rios voadores que circulam por todo o Brasil. S\u00e3o eles que levam a chuva. Se h\u00e1 desmatamento e queimada, o ambiente fica mais quente e causa um desequil\u00edbrio da floresta, principalmente nessa fase do processo.<\/p>\n<p class=\"citation\">Socorro Barroso, guia do Museu da Amaz\u00f4nia<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>Um pulo ao lado de Manaus<\/h3>\n<p>Ter o primeiro contato com a floresta nativa pelo Musa \u00e9 uma \u00f3tima oportunidade para quem nunca esteve na Amaz\u00f4nia. Numa parte da trilha at\u00e9 a torre, fomos orientados a n\u00e3o encostar direto nas \u00e1rvores, porque podem ter aranhas, por exemplo. Tamb\u00e9m a n\u00e3o andar nas margens das trilhas, onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel observar se h\u00e1 serpentes ou outros bichos rastejantes. Principalmente, aprendemos a ouvir a floresta. Apesar dos bichos estarem escondidos com a chuva, os barulhos eram muito persistentes e nosso barulho tamb\u00e9m poderia influenciar na vida dos animais.<\/p>\n<p>Essas dicas e esse treinamento numa parte controlada da reserva me preparou para o pr\u00f3ximo programa, em Presidente Figueiredo, cidade vizinha \u00e0 capital, onde passei o dia dentro da <b>Amaz\u00f4nia<\/b>. Dessa vez, o n\u00edvel de dificuldade das trilhas era um pouco maior, somado com a escorregadia terra molhada, partes mais \u00edngremes e descidas sem muito apoio.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/6OEOT6NA5RAN3ODQIAGOAWY2DU.jpeg?auth=c9c171ca6aa15fbd406260e53887c7c43e08c547736b7cfb24a8b5af76bfd7f7&amp;smart=true&amp;width=5712&amp;height=4284\" alt=\"Vista de dentro da Caverna do Maroaga, em Presidente Figueiredo\" width=\"5712\" height=\"4284\" \/><figcaption>Vista de dentro da Caverna do Maroaga, em Presidente Figueiredo<\/figcaption><\/figure>\n<p>A principal dificuldade, sem d\u00favidas, foi o clima abafado da regi\u00e3o. Mesmo no chamado inverno e com chuva refrescante, ainda fazia muito calor debaixo das copas das \u00e1rvores, t\u00e3o fechadas que n\u00e3o deixavam o vento nem a chuva passar \u2013 o que foi, em parte, muito bom, j\u00e1 que as \u00e1rvores seguravam parte da \u00e1gua e n\u00e3o nos deixavam completamente encharcados.<\/p>\n<p>Ao longo da temporada de ver\u00e3o regional, com o clima seco, o calor pode piorar. Embora existisse certa dificuldade em lidar com o tempo ruim. H\u00e1 um ponto positivo para anotar: a chuva e os dias nublados amenizam essa sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica.<\/p>\n<p>A primeira parada do dia em Presidente Figueiredo foi na Caverna do Maroaga e na Gruta da Judeia, localizadas na mesma reserva ambiental. Em alguns momentos do percurso, o acesso ocorre por trilha alagada; aqui \u00e9 obrigat\u00f3rio o uso de sapatilhas aqu\u00e1ticas. Ambos os pontos tur\u00edsticos s\u00e3o conhecidos pelas forma\u00e7\u00f5es rochosas, pelas quedas d\u2019\u00e1gua e pelos morcegos que se aproveitam da escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>O que mais ouvi foi canto de ave, principalmente do capit\u00e3o-do-mato, conhecido tamb\u00e9m como cricri\u00f3, o que muitos dizem ser o \u201csom da amaz\u00f4nia\u201d, com canto alto e fino. Durante a trilha, um dos momentos mais simb\u00f3licos foi encontrar uma \u00e1rvore marcada pelas garras de on\u00e7a-pintada. Os troncos com arranh\u00f5es profundos e compridos deram a dimens\u00e3o real desse mam\u00edfero \u2013 e frio na barriga.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/ARENLJOQDZBORKTBYNHCJWZLEY.jpeg?auth=8405ad41cd400121ea9d77953baf50c6ab3bbbf5dfdab924e06a15f90a356291&amp;smart=true&amp;width=5712&amp;height=4284\" alt=\"\u00c1rvore marcada com garras de on\u00e7a-pintada no meio da mata\" width=\"5712\" height=\"4284\" \/><figcaption>\u00c1rvore marcada com garras de on\u00e7a-pintada no meio da mata<\/figcaption><\/figure>\n<p>Seguindo o roteiro na cidade, a Cachoeira de Iracema \u00e9 outro ponto tur\u00edstico conhecido, que estava com correnteza forte e quedas d\u2019\u00e1gua mais cheias por causa do per\u00edodo chuvoso. Mesmo assim, contava com v\u00e1rias partes rasas entre as pedras, onde \u00e9 poss\u00edvel se banhar com mais seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O \u00faltimo trecho visitado foi o Rio Vermelho e a Lagoa Cristalina, essa bem diferente das correntezas da cachoeira, parece ser uma piscina no meio da floresta, com \u00e1gua azul e areia branca. O passeio pelas ag\u00eancias de turismo da cidade, com guia local, custa entre R$ 450 e R$ 550 por pessoa, para uma excurs\u00e3o de aproximadamente oito horas de dura\u00e7\u00e3o passando por esses pontos e incluindo almo\u00e7o em um restaurante local.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/N2S4D3NE3VF2ZFLBZG3Q4PI2HQ.jpeg?auth=399f7ade7a3c8ade3df870574cba1f6d34e94ab1902c1c5f010abed05b17c6a4&amp;smart=true&amp;width=5712&amp;height=4284\" alt=\"Lagoa Cristalina em Presidente Figueiredo\" width=\"5712\" height=\"4284\" \/><figcaption>Lagoa Cristalina em Presidente Figueiredo<\/figcaption><\/figure>\n<p>A pedida para finalizar o dia de imers\u00e3o na floresta foi o jantar no Banzeiro, que possui uma filial em S\u00e3o Paulo, inclu\u00edda pelo Guia Michelin em sua lista Bib Gourmain, categoria designada a casa com a melhor rela\u00e7\u00e3o qualidade-pre\u00e7o. O restaurante do chef Felipe Schaedler \u00e9 refer\u00eancia em gastronomia amaz\u00f4nica, lugar para provar sua famosa receita de formiga sa\u00fava com espuma de mandioquinha. O card\u00e1pio conta com pratos bem servidos, entre eles, tambaqui com crosta de castanha e banana assada, pirarucu gratinado, moqueca de banana, camar\u00e3o e tacac\u00e1.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/P5QDRCOLDBEB7GDNGGTG4GZLTM.jpeg?auth=de82775541457b8c43c01f15d08155564d812fddec751543ce394e3bad28632f&amp;smart=true&amp;width=5712&amp;height=4284\" alt=\"Formiga sa\u00fava com creme de mandioquinha, op\u00e7\u00e3o de entrada no Banzeiro\" width=\"5712\" height=\"4284\" \/><figcaption>Formiga sa\u00fava com creme de mandioquinha, op\u00e7\u00e3o de entrada no Banzeiro<\/figcaption><\/figure>\n<h3>O Encontro das \u00c1guas<\/h3>\n<p>A cerca de 13 km de Manaus navegando pelo Rio Negro est\u00e1 um dos fen\u00f4menos mais conhecidos da Amaz\u00f4nia: o encontro com o Rio Solim\u00f5es. A diferen\u00e7a de temperatura, de densidade e de velocidade entre eles faz com que n\u00e3o se misturem imediatamente, deixando a \u00e1gua dividida com uma parte mais escura, do Negro, e outra barrenta, do Solim\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que come\u00e7a a forma\u00e7\u00e3o do Rio Amazonas, que vai desaguar no Atl\u00e2ntico entre o Par\u00e1 e o Amap\u00e1. Embora a diferen\u00e7a de cores seja mais n\u00edtida no ver\u00e3o amaz\u00f4nico, o Encontro das \u00c1guas \u00e9 vis\u00edvel o ano inteiro, ent\u00e3o, mesmo na \u00e9poca de cheia e chuva, foi poss\u00edvel ver com clareza a divis\u00e3o.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/YNOS3E6JCZHBVAPX4WHMNB22AA.jpeg?auth=f0ebc09db4873bfa8ff679fc2fd88b83bca282ab86854d9fe9f7d9480a957eff&amp;smart=true&amp;width=5417&amp;height=4062\" alt=\"Encontro das \u00c1guas, com o Rio Negro (escuro) e o Rio Solim\u00f5es (barrento)\" width=\"5417\" height=\"4062\" \/><figcaption>Encontro das \u00c1guas, com o Rio Negro (escuro) e o Rio Solim\u00f5es (barrento)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Durante o passeio de barco, \u00e9 comum que os guias pe\u00e7am para os turistas colocarem a m\u00e3o na \u00e1gua enquanto o barco navega na divisa dos dois rios, para perceber as diferen\u00e7as, principalmente de temperatura: h\u00e1 um choque ao sair do Rio Negro e sentir o Rio Solim\u00f5es muito mais frio e denso. Esse percurso onde as \u00e1guas ainda est\u00e3o divididas se estende por cerca de 6 km.<\/p>\n<p>O passeio, que custa em m\u00e9dia R$ 200 por pessoa e dura uma manh\u00e3, tem parada para almo\u00e7o em um dos restaurantes ribeirinhos das comunidade pr\u00f3ximas do Rio Negro. Na mesma regi\u00e3o, que \u00e9 chamada de zona de v\u00e1rzea, porque fica metade do ano alagada \u2013 no inverno amaz\u00f4nico \u2013, est\u00e1 a suma\u00fama, conhecida como a \u00e1rvore-m\u00e3e da Amaz\u00f4nia pelas suas ra\u00edzes grandes. Mesmo no per\u00edodo chuvoso, quando geralmente as ra\u00edzes ficam cobertas pela floresta alagada, ainda foi poss\u00edvel conhecer a \u00e1rvore antes da cheia do rio. No Musa, tamb\u00e9m pode ser vista uma suma\u00fama em uma das trilhas.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/SB7NHMCCG5FDJOXRQEXEPSVLV4.jpeg?auth=e3847ff5f7e770dcdd42b660abe60cda0b5bd6a9746cabbd33eabf9b96c5c6eb&amp;smart=true&amp;width=4032&amp;height=3024\" alt=\"Suma\u00fama, considerada \u00e1rvore-m\u00e3e da floresta com ra\u00edzes grandes\" width=\"4032\" height=\"3024\" \/><figcaption>Suma\u00fama, considerada \u00e1rvore-m\u00e3e da floresta com ra\u00edzes grandes<\/figcaption><\/figure>\n<h3>A Paris dos Tr\u00f3picos<\/h3>\n<p>Saindo da parte verde e voltando para a ilha urbana do Amazonas, o passeio hist\u00f3rico e cultural por Manaus revela um tempo de ascens\u00e3o econ\u00f4mica da cidade e forte influ\u00eancia europeia. Uma das constru\u00e7\u00f5es mais imponentes de Manaus e provavelmente ser\u00e1 a primeira coisa a se observar, caso voc\u00ea se hospede no Centro, assim como eu: o Teatro Amazonas, com a c\u00fapula em verde e amarelo e paredes em tom de rosa.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/V5XPHOVQ3FMNTCKNBA5PU5HVFI.jpg?auth=dec1e681d03e3891a12102ec5322de1a52722602d58c6e2c9345af6e358ac963&amp;smart=true&amp;width=710&amp;height=473\" alt=\"Impon\u00eancia em tons de rosa: Teatro Amazonas, no centro hist\u00f3rico\" width=\"710\" height=\"473\" \/><figcaption>Impon\u00eancia em tons de rosa: Teatro Amazonas, no centro hist\u00f3rico<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com refer\u00eancias renascentistas, preserva a arquitetura ecl\u00e9tica da \u00e9poca do Ciclo da Borracha, o mesmo a se observar no Pal\u00e1cio Rio Negro. Antiga sede do governo do Amazonas, a constru\u00e7\u00e3o hoje tamb\u00e9m \u00e9 tombada como patrim\u00f4nio cultural e concentra exposi\u00e7\u00f5es gratuitas. No teatro, os ingressos custam R$ 20.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/ENNJGZUNWNFRBH4UH4NKQBMORU.jpeg?auth=225db3d9310faff0ce77397590cb8cf20405876cd791efc1e9a6deee80053d82&amp;smart=true&amp;width=5712&amp;height=4284\" alt=\"Sala de espet\u00e1culos do Teatro Amazonas, com plateia e camarotes\" width=\"5712\" height=\"4284\" \/><figcaption>Sala de espet\u00e1culos do Teatro Amazonas, com plateia e camarotes<\/figcaption><\/figure>\n<p>Manaus foi apelidada de Paris dos Tr\u00f3picos, no auge de seu desenvolvimento econ\u00f4mico entre o fim do s\u00e9culo 19 e in\u00edcio do 20, apogeu da extra\u00e7\u00e3o da borracha. N\u00e3o \u00e0 toa, boa parte dos materiais para a constru\u00e7\u00e3o do Teatro Amazonas, considerado s\u00edmbolo desta \u00e9poca, veio da Europa.<\/p>\n<p>O interior da c\u00fapula, acima do palco e da plateia, foi inspirado no desenho da Torre Eiffel, como se o monumento franc\u00eas emergisse do teatro para quem olha debaixo. O Sal\u00e3o Nobre, no segundo andar, onde eram realizados os grandes eventos sociais da \u00e9poca, oferece uma imers\u00e3o renascentista, pintado das paredes at\u00e9 o teto pelo italiano Domenico de Angelis.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/LZXD6GRGE5AV7KFQQGH45RWRAM.jpeg?auth=91d72e937177d2bc17b0bcf3a0c4548f12c4a7b15b0795f8b6e117650c7da07b&amp;smart=true&amp;width=4260&amp;height=3195\" alt=\"Pintura renascentista do italiano Domenico de Angelis, no teto do Sal\u00e3o Nobre\" width=\"4260\" height=\"3195\" \/><figcaption>Pintura renascentista do italiano Domenico de Angelis, no teto do Sal\u00e3o Nobre<\/figcaption><\/figure>\n<p>E tem, ainda, os detalhes curiosos. Debaixo dos assentos, existia um \u201csistema de ar-condicionado\u201d natural. A massa de ar frio entrava por discos met\u00e1licos posicionados no ch\u00e3o, entre os lugares da plateia; e por cima, na c\u00fapula, o ar quente sa\u00eda por algumas aberturas circulares.<\/p>\n<p>Na rua ao lado do teatro, feita de paralelep\u00edpedo, \u00e9 poss\u00edvel observar uma parte mais escura que a outra, preservada ainda do s\u00e9culo passado: eram os paralelep\u00edpedos revestidos de borracha, para evitar que o barulho das carruagens atrapalhasse o espet\u00e1culo dentro do pr\u00e9dio. Outro aspecto imperd\u00edvel \u00e9 a maquete feita de Lego, r\u00e9plica do Amazonas enviada da f\u00e1brica na Dinamarca, quando a empresa inaugurou uma sede na cidade, na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/GM3EWVARWZBOXEXP5EVKOCE4O4.jpeg?auth=6ddcf084b9ed4a7e5992ba23e0843e5aafcaca61fbdcec9f737e616153a050d9&amp;smart=true&amp;width=5712&amp;height=4284\" alt=\"Maquete de Lego do teatro est\u00e1 exposta segundo andar do pr\u00e9dio\" width=\"5712\" height=\"4284\" \/><figcaption>Maquete de Lego do teatro est\u00e1 exposta segundo andar do pr\u00e9dio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tamb\u00e9m no Centro, o Porto Escadaria dos Rem\u00e9dios, conhecido hoje como Escadaria da Manaus Moderna, ainda \u00e9 o principal acesso \u00e0 capital para outros munic\u00edpios e comunidades do Rio Negro. Foi um marco no desenvolvimento da cidade durante o Ciclo da Borracha pelo elo comercial que representou.<\/p>\n<p>Nas embarca\u00e7\u00f5es tradicionais na Amaz\u00f4nia, geralmente com mais de um andar, \u00e9 comum ver redes penduradas onde os viajantes dormem enquanto levam dias at\u00e9 chegar aos seus destinos. Os barcos trazem n\u00e3o s\u00f3 pessoas, mas as mercadorias que abastecem o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, localizado em frente ao porto.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/KTQQL2VPKVNTRCBO7JV3CLU36I.jpg?auth=67c6ff431fc2f3aaa5427eb9f644b3f79197637332274043d0828b8f4d425f90&amp;smart=true&amp;width=710&amp;height=473\" alt=\"Pescado que abastece o mercado em Manaus\" width=\"710\" height=\"473\" \/><figcaption>Pescado que abastece o mercado em Manaus<\/figcaption><\/figure>\n<p>Farinha de tapioca, camar\u00e3o seco, geleia de a\u00e7a\u00ed e cacha\u00e7a de jambu s\u00e3o exemplos de produtos regionais encontrados no mercado. H\u00e1 muito artesanato, tamb\u00e9m: pulseiras e cord\u00f5es feitos de sementes, bolsas e artigos de decora\u00e7\u00e3o de palha e madeira, sabonetes e esfoliantes naturais, brinquedos como jogos de dama e um apito com regulador que imita som de p\u00e1ssaros.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante que o Mercado tenha duas fachadas completamente distintas: a de frente para o Rio Negro, que abriga um restaurante de frutos do mar, \u00e9 simples e industrial; e a virada para a cidade revela a identidade do Ciclo da Borracha. Tem arquitetura semelhante a de outras constru\u00e7\u00f5es antigas mencionadas acima, mas com uma pitada de art-nouveau, influ\u00eancia europeia tamb\u00e9m importada para a Paris dos Tr\u00f3picos.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/WGQSTZBPBFCFZLPMRV4ZW3LPUU.jpeg?auth=b73de863c38ee24343df77a27bad4b885a8c93165383464934e61afa674acdeb&amp;smart=true&amp;width=5712&amp;height=4284\" alt=\"Geleias, cacha\u00e7as e chocolates regionais s\u00e3o vendidos no Mercado Municipal\" width=\"5712\" height=\"4284\" \/><figcaption>Geleias, cacha\u00e7as e chocolates regionais s\u00e3o vendidos no Mercado Municipal<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Mais turistas querem conhecer Manaus<\/h3>\n<p><b>Manaus est\u00e1 entre os destinos do mundo com maior aumento de reservas<\/b>, de acordo com uma pesquisa da Booking.com. A plataforma separou os mil destinos que mais cresceram globalmente e, por meio de uma curadoria para garantir a diversidade geogr\u00e1fica da lista, apostou em dez como tend\u00eancia para 2026, sendo Manaus o \u00fanico brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um interesse crescente dos viajantes pela Regi\u00e3o Norte do Brasil. As pessoas buscam experi\u00eancias aut\u00eanticas e conex\u00e3o real com a natureza. O turismo est\u00e1 mudando de cara. A gente est\u00e1 vendo o crescimento de destinos menos \u00f3bvios. O viajante atual est\u00e1 mais aberto ao mundo\u201d, afirma Luiz Cegato, gerente de Comunica\u00e7\u00e3o da Booking.com para a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mais de 40 metros de altura sobre as copas das \u00e1rvores em Manaus, nuvens&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1457663,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8363,8196,8361],"tags":[],"class_list":["post-1438544","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destinos","category-entretenimento","category-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1438544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1438544"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1438544\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1457664,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1438544\/revisions\/1457664"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1457663"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1438544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1438544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1438544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}