{"id":1433155,"date":"2024-12-10T14:40:44","date_gmt":"2024-12-10T14:40:44","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1433155"},"modified":"2026-06-08T09:26:42","modified_gmt":"2026-06-08T12:26:42","slug":"em-seu-primeiro-romance-o-autor-georgiano-britanico-leo-vardiashvili-conta-com-humor-negro-as-feridas-nao-cicatrizadas-do-seu-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1433155","title":{"rendered":"Em seu primeiro romance, o autor georgiano-brit\u00e2nico Leo Vardiashvili conta com humor negro as feridas n\u00e3o cicatrizadas do seu pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<p><big class=\"tagline\"><em>O ditado georgiano diz : \u201cum h\u00f3spede \u00e9 um presente de Deus.\u201d <\/em><\/big><\/p>\n<div class=\"wp-caption alignnone\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-821403 size-large\" src=\"https:\/\/globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/45527657_10157029566752625_7705637848371691520_n-800x600.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" aria-describedby=\"caption-attachment-821403\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Um antigo carro sovi\u00e9tico no centro hist\u00f3rico de Tibl\u00edssi. Foto por Filip Noubel, usada com permiss\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>Depois da queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991, a Ge\u00f3rgia recuperou a independ\u00eancia que j\u00e1 havia sido desfrutada por um breve per\u00edodo entre 1918 e 1921. A Ge\u00f3rgia tem uma hist\u00f3ria marcada por guerras civis e \u00e9tnicas que, com o suporte de Moscou, levaram dois de seus territ\u00f3rios, \u00a0Abec\u00e1sia e \u00a0Oss\u00e9tia do Sul, a declararem separa\u00e7\u00e3o sob a prote\u00e7\u00e3o russa. Hoje, o pa\u00eds continua a ser uma sociedade fr\u00e1gil, severamente dividida entre aqueles que querem uma Ge\u00f3rgia liberal, com rela\u00e7\u00f5es mais estreitas com a Europa, e certas elites pol\u00edticas e empresariais mais alinhadas com pontos de vista conservadores e com a R\u00fassia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-821400 size-large\" src=\"https:\/\/globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leo_0125-400x600.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"600\" aria-describedby=\"caption-attachment-821400\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto de Kiera Fyles, Palmer Photography, usada com permiss\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>A Global Voices entrevistou Leo Vardiashvili, um autor georgiano-brit\u00e2nico que deixou a Ge\u00f3rgia quando tinha treze anos de idade. Estudou literatura inglesa e hoje trabalha no setor financeiro. Vardiashvili acabou de lan\u00e7ar seu primeiro romance em l\u00edngua inglesa, \u201c<em>Hard by a Great Forest<\/em>.\u201d No livro, ele explora as muitas cicatrizes de seu primeiro lar por meio da vida tr\u00e1gica e aventureira do personagem Saba, que tamb\u00e9m deixou a Ge\u00f3rgia com seu pai e irm\u00e3o quando crian\u00e7a, deixando para tr\u00e1s a m\u00e3e. Anos depois, retorna para Tibl\u00edssi vindo do Reino Unido \u00e0 procura do irm\u00e3o e do pai, que haviam regressado \u00e0 Ge\u00f3rgia e desaparecido. O livro celebra a cultura, a natureza e a generosidade da Ge\u00f3rgia, mas tamb\u00e9m reconhece a sua crueldade. \u00c9 uma media\u00e7\u00e3o que entre o ex\u00edlio e o trauma familiar.<\/p>\n<p>Vardiashvili acabou de abrir o Nono Festival Internacional de Literatura de Tibl\u00edssi\u00a0e seu romance traz uma nova voz da Ge\u00f3rgia para os leitores angl\u00f3fonos. Seu livro foi pr\u00e9-selecionado para o Pr\u00eamio Wilbur Smith de 2024 na categoria de literatura de aventura. Essa entrevista foi editada por motivos de concis\u00e3o e estilo.<\/p>\n<p><strong>Filip Noubel (FN): Tibl\u00edssi \u00e9 um dos personagens principais do seu romance. Hoje, a cidade \u00e9 uma mistura de casas velhas em ru\u00ednas, pr\u00e9dios restaurados que atraem turistas, exilados do Ir\u00e3 ou da R\u00fassia e edif\u00edcios ultra modernos. O que \u00e9 Tibl\u00edssi pra voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Leo Vardiashvili (LV):<\/strong> Historically, Tbilisi has always been a cultural melting pot. This is a fact which is literally visible in the architecture of Tbilisi, audible in the various languages used around the city, and can be sampled within Georgian cuisine. To this day we\u2019re proud to receive tourists and exiles alike and welcome them as one of our own kin. After all, as the Georgian saying goes \u2014 a guest is a gift from God.<\/p>\n<div class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-featured_image_large wp-image-821527\" src=\"https:\/\/globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Mother_Kartli_drone-800x450.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" aria-describedby=\"caption-attachment-821527\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Mother of Georgia Statue. From Wikipedia Creative Commons CC0<\/p>\n<\/div>\n<p>The Mother of Georgia statue is a physical embodiment of this. She stands on a hilltop overlooking Tbilisi. She is both our protector and our welcoming party. She holds a cup of wine to welcome those who come in peace. In her other hand she holds a sword \u2014 for those who mean us harm. This is another aspect of Tbilisi \u2014 its troubled history. It is a city that has been invaded and occupied close to 30 times over the centuries. Tbilisi bears these scars proudly and incorporates them into its charm.<\/p>\n<p>Having said that, given that I have a form of a platform to reach more people than I can in person, I would like to voice a concern. Yes, the crumbling streets and buildings in some districts are very romantic, however there is a limit to how long they will remain standing. It hurts me to see my district of Sololaki (for example) in such a state \u2014 I wish more was done to care for Tbilisi. I do see very welcome signs of such care in places, and yet in other places I see a flagrant bulldozing of Georgian culture and countryside in the name of profit. To finally answer the question \u2014 Tbilisi is my home. It is as simple as that and I hope with all my heart that it will remain the beautiful city that it is.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"translation\"><p><strong>Leo Vardiashvili (LV): \u00a0<\/strong>Historicamente, Tibl\u00edssi sempre foi um caldeir\u00e3o cultural. Esse \u00e9 um fato vis\u00edvel literalmente na arquitetura da cidade; aud\u00edvel, nos v\u00e1rios idiomas falados ao redor da cidade; e poss\u00edvel de degustar com a culin\u00e1ria georgiana. At\u00e9 hoje, nos orgulhamos de receber turistas e exilados como se fossem um de n\u00f3s. Afinal, como diz o ditado georgiano \u2013 um convidado \u00e9 um presente de Deus.<\/p>\n<div class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-featured_image_large wp-image-821527\" src=\"https:\/\/globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Mother_Kartli_drone-800x450.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" aria-describedby=\"caption-attachment-821527\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A est\u00e1tua da M\u00e3e da Ge\u00f3rgia. De Wikipedia Creative Commons CC0<\/p>\n<\/div>\n<p>A est\u00e1tua da M\u00e3e da Ge\u00f3rgia\u00a0\u00e9 uma materializa\u00e7\u00e3o destas quest\u00f5es. Ela est\u00e1 de p\u00e9 numa coluna olhando para Tibl\u00edssi. Ela \u00e9 simultaneamente nossa protetora e nossa anfitri\u00e3. Em uma das m\u00e3os ela segura uma ta\u00e7a de vinho, dando as boas-vindas \u00e0queles que v\u00eam em paz. Na outra m\u00e3o, ela segura uma espada \u2013 para os que v\u00eam com inten\u00e7\u00e3o de causar o mal. E esse \u00e9 outro aspecto de Tibl\u00edssi \u2013 sua hist\u00f3ria conturbada. \u00c9 uma cidade que foi invadida e ocupada cerca de 30 vezes ao longo dos s\u00e9culos. Tibl\u00edssi carrega essas cicatrizes orgulhosamente e as incorpora ao seu charme.<\/p>\n<p>Tendo dito isso, em vista de eu ter uma plataforma para alcan\u00e7ar mais pessoas, gostaria de expressar uma preocupa\u00e7\u00e3o. Sim, as ruas e os pr\u00e9dios em ru\u00ednas em alguns distritos s\u00e3o muito rom\u00e2nticos, por\u00e9m, existe um limite de tempo pelo qual eles podem se manter de p\u00e9. Me machuca ver meu distrito de Sololaki, por exemplo, em tal estado \u2013 eu gostaria que se fizesse mais para cuidar de Tibl\u00edssi. Vejo muitos sinais positivos com rela\u00e7\u00e3o ao cuidado em alguns lugares, em outros, por\u00e9m, eu vejo uma flagrante destrui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea rural e da cultura georgiana, em nome do lucro. E para, finalmente, responder a quest\u00e3o, Tibl\u00edssi \u00e9 minha casa. \u00c9 simples assim. E eu espero, de todo o cora\u00e7\u00e3o, que ela continue sendo a cidade bonita que \u00e9.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-featured_image_large wp-image-821529\" src=\"https:\/\/globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/1024px-Saint_Gevorg_of_Mughni_Armenian_Church_Old_Tbilisi_2002_Tbilisi_Georgia-800x450.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" aria-describedby=\"caption-attachment-821529\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O bairro de Sololaki na antiga Tibl\u00edssi. Imagem da Wikipedia Commons, license CC BY 2.0<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>FN: O ex\u00edlio \u00e9 sua hist\u00f3ria pessoal, a hist\u00f3ria do personagem principal do seu romance e a de in\u00fameros georgianos, por motivos pol\u00edticos e econ\u00f4micos desde os anos 90. Como pode a fic\u00e7\u00e3o contar melhor a hist\u00f3ria do ex\u00edlio do que outras formas n\u00e3o ficcionais de escrita?\u00a0<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>LV:<\/strong> Non-fiction can provide facts, figures, politics and the events underpinning wars and conflicts. It is absolutely essential for us as humans, however non-fiction is often limited by its rightful adherence to fact. But facts can be cold. For example, casualty numbers reaching into thousands, already begin to lose the tangible, human meaning behind each of those deaths and what they mean on a personal, family level. Each death, or \u2018casualty,\u2019 has a knock-on effect on a chain of people, and the trauma is often carried from generation to generation.<\/p>\n<div class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-821531\" src=\"https:\/\/globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Screenshot-2024-09-30-at-2.38.17%E2%80%AFPM-271x400.png\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"400\" aria-describedby=\"caption-attachment-821531\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Vardiashvili&#8217;s debut book \u201cHard by a Great Forest.\u201d Image via YouTube.<\/p>\n<\/div>\n<p>Fiction, by its nature, is not restricted by fact. This allows it the freedom to explore issues at whatever depth the author chooses. This freedom gives fiction the ability to delve into the human, emotional impact of events. When it comes to war, it can give voice to the personal and family-level impact of war and displacement which is often lost in non-fiction and news reports. This is why I chose to explore Georgia and its troubled past and present through fiction. It allowed me to shed some light on the Georgian character and its stubborn defiance in the face of all hardship. More importantly, it allowed me to focus on what war and exile can do to a single family. With the hope that people might take this understanding, and keep it mind when they hear and see news reports coldly providing them with headline news of territories changing hands and casualty numbers.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"translation\"><p><strong>LV:<\/strong> A n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o consegue fornecer fatos, cifras, pol\u00edticas e eventos que embasam guerras e conflitos. \u00c9 algo absolutamente essencial para n\u00f3s, enquanto seres humanos. Contudo, a n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente limitada pela sua necess\u00e1ria ader\u00eancia aos fatos. Mas os fatos podem ser frios. Por exemplo: os n\u00fameros de v\u00edtimas, que alcan\u00e7am milhares, come\u00e7am a perder o significado tang\u00edvel de cada vida humana por tr\u00e1s dessas mortes, e o que elas significam no \u00e2mbito pessoal e familiar. Cada morte, ou \u2018baixa\u2019 provoca um efeito devastador numa corrente de pessoas e o trauma \u00e9 frequentemente transmitido de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-821531\" src=\"https:\/\/globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Screenshot-2024-09-30-at-2.38.17%E2%80%AFPM-271x400.png\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"400\" aria-describedby=\"caption-attachment-821531\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O livro de estr\u00e9ia de Vardiashvili&#8217;s \u201cHard by a Great Forest.\u201d Imagem via YouTube.<\/p>\n<\/div>\n<p>A fic\u00e7\u00e3o, por natureza, n\u00e3o \u00e9 restringida pelo fato. Isso permite que se tenha liberdade para explorar quest\u00f5es em qualquer profundidade escolhida pelo autor. Essa liberdade d\u00e1 \u00e0 fic\u00e7\u00e3o a habilidade de mergulhar dentro do humano, do impacto emocional dos acontecimentos. Quando se trata da guerra, pode se dar voz aos impactos dos conflitos e a dispers\u00e3o provocada por eles no \u00e2mbito pessoal e familiar, que \u00e9 frequente na n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o e nos notici\u00e1rios. \u00c9 por essa raz\u00e3o que eu escolhi trabalhar o problem\u00e1tico passado e presente da Ge\u00f3rgia por meio da fic\u00e7\u00e3o. Isso me permitiu explicar o car\u00e1ter georgiano e sua rebeldia obstinada diante de todas as dificuldades. Mais importante ainda, me permitiu focar no que a guerra e o ex\u00edlio podem provocar em uma \u00fanica fam\u00edlia. Com a esperan\u00e7a de que as pessoas possam entender e tenham em mente quando escutam e assistem aos notici\u00e1rios que, com frieza,\u00a0 mostram em suas manchetes, o n\u00fameros de mortos e os territ\u00f3rios que mudam de m\u00e3os.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>FN: Temos visto o surgimento da literatura georgiana no exterior, escrita em ingl\u00eas ou alem\u00e3o (Nino Haratischwili). Existem grandes diferen\u00e7as entre a literatura escrita em georgiano e a que se escreve na Ge\u00f3rgia?<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>\u00a0LV:\u00a0<\/strong>A large proportion of the Georgian population lives outside of Georgia, as first- or second-generation immigrants. However, I think there is a natural longing that all immigrants experience for their homeland. There is also a feeling of enthusiasm in wanting to introduce people to the wonderful country of Georgia and its people.<\/p>\n<p>I believe this is the seed for the diasporic Georgian literature which is slowly emerging. From my own personal experience, such literature is welcomed with typical Georgian, big-hearted, open-minded enthusiasm by Georgians in Georgia as well as by the many Georgian immigrants. I hope to achieve what Nino Haratischwili has achieved in her career, with her award-winning writing. I also hope to one day meet her and ask her the question I am currently answering. Georgia has a long-standing relationship and culture of great literary heft, but Georgian writers are currently facing unrest and strife within their own country. I hope they overcome this with the help of organisations such as the Tbilisi International Festival of Literature, and PEN Georgia.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"translation\"><p><strong>LV:\u00a0<\/strong>Uma grande por\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o georgiana vive fora da Ge\u00f3rgia, como os imigrantes de primeira ou segunda gera\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, eu acho que existe uma saudade natural que todos os imigrantes vivenciam ao pensar em seu lugar de origem. Tamb\u00e9m existe um sentimento de entusiasmo, de querer apresentar as pessoas ao maravilhoso pa\u00eds da Ge\u00f3rgia e sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acredito que essa \u00e9 a semente dessa literatura georgiana no exterior, a qual surge pouco a pouco. Segundo a minha experi\u00eancia pessoal, esse tipo de literatura \u00e9 recebida com o entusiasmo t\u00edpico georgiano: com o cora\u00e7\u00e3o grande e a mente aberta, tanto pelos georgianos quanto pelos in\u00fameros imigrantes da Ge\u00f3rgia. Eu espero alcan\u00e7ar o mesmo que Nino Haratischwili em sua carreira, com sua obra ganhadora de pr\u00eamios. Eu tamb\u00e9m quero encontr\u00e1-la e perguntar a ela essa mesma quest\u00e3o que voc\u00ea me fez e eu estou respondendo. A Ge\u00f3rgia tem uma cultura liter\u00e1ria de peso, mas atualmente os autores georgianos enfrentam instabilidade e conflitos dentro do pa\u00eds. Espero que eles sejam capazes de superar isto com a ajuda de organiza\u00e7\u00f5es como o Festival Internacional de Literatura de Tibl\u00edssi, e a ONG PEN Ge\u00f3rgia.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>FN: Desde que a Ge\u00f3rgia foi o pa\u00eds convidado para a Feira do Livro de Frankfurt em 2018, a literatura georgiana tem se tornado mais vis\u00edvel na Europa e Am\u00e9rica do Norte. Qual \u00e9 a sua avalia\u00e7\u00e3o hoje em dia? Que autores voc\u00ea recomenda para ler nas tradu\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas?<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>LV:<\/strong> I\u2019m happy to see Georgia mentioned more often in Europe and North America. We are not an anonymous, grey country to be overlooked on the map. We are not insular, we are talented, and want to be known for the right reasons. Therefore I am grateful for the efforts of the Frankfurt Book Fair and welcome more organisations to include Georgia \u2014 they won\u2019t be disappointed.<\/p>\n<p>My debut novel has allowed me access to the literary world where I was pleasantly surprised to see more and more people championing Georgian culture. Maya Jaggi is a perfect example of this: She is a British writer, literary critic, editor and cultural journalist, and I thank her for her efforts to bring the spotlight to this corner of the globe. There are not many translations of contemporary Georgian literature, but I would recommend the works of Dumbadze, Morchiladze, Orbeliani and Javakhishvili. My favourite amongst those not translated yet is Temur Babluani.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"translation\"><p><strong>LV: <\/strong>Eu fico feliz em ver a Ge\u00f3rgia mencionada com mais frequ\u00eancia na Europa e Am\u00e9rica do Norte. N\u00f3s n\u00e3o somos um pa\u00eds an\u00f4nimo e cinzento a ser ignorado no mapa. N\u00f3s n\u00e3o somos uma ilha. N\u00f3s somos talentosos e queremos ser conhecidos pelas raz\u00f5es certas. Por isso eu me sinto grato pelos esfor\u00e7os da feira de livros de Frankfurt e convido outras organiza\u00e7\u00f5es a incluir a Ge\u00f3rgia \u2013 elas n\u00e3o ficaram desapontadas.<\/p>\n<p>Meu romance de estreia me permitiu acessar o mundo liter\u00e1rio no qual fiquei bastante surpreso por ver mais e mais pessoas abra\u00e7ando a cultura georgiana. Maya Jaggi \u00e9 um exemplo perfeito disso: ela \u00e9 uma escritora brit\u00e2nica, cr\u00edtica liter\u00e1ria, editora e jornalista cultural, e eu agrade\u00e7o \u00e0 ela pelos esfor\u00e7os para trazer visibilidade para esse canto do mundo. N\u00e3o existem muitas tradu\u00e7\u00f5es dos autores da literatura contempor\u00e2nea na Ge\u00f3rgia, mas alguns dos que posso recomendar s\u00e3o Dumbadze, Morchiladze, Orbeliani e Javakhishvili. E meu favorito, entre os n\u00e3o traduzidos ainda, \u00e9 Temur Babluani.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"gv-rss-footer\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"text-credits-container\">\n<div class=\"text-credits-section\"><span class=\"credit-label\">Written (English) by<\/span> <a class=\"user-link\" href=\"https:\/\/globalvoices.org\/author\/filip-noubel\/\">Filip Noubel<\/a><\/div>\n<div class=\"text-credits-section\"><span class=\"credit-label\">Translated (Portugu\u00eas) by<\/span> <a class=\"user-link\" href=\"https:\/\/pt.globalvoices.org\/author\/selene-gomes-de-oliveira-machado\/\">Selene Machado<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"source-link\"><a href=\"https:\/\/globalvoices.org\/2024\/10\/03\/georgian-british-author-leo-vardiashvili-paints-the-countrys-unhealed-scars-with-dark-humor-in-first-novel\/\">Veja o post original (English)<\/a><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ditado georgiano diz : \u201cum h\u00f3spede \u00e9 um presente de Deus.\u201d Um antigo carro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1435833,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8364,8197,8366],"tags":[],"class_list":["post-1433155","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artes","category-conhecimento-e-curiosidades","category-literatura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1433155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1433155"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1433155\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1435834,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1433155\/revisions\/1435834"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1435833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1433155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1433155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1433155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}