{"id":1390205,"date":"2024-07-13T12:00:00","date_gmt":"2024-07-13T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1390205"},"modified":"2026-05-13T09:37:15","modified_gmt":"2026-05-13T12:37:15","slug":"como-deixar-de-ser-sedentario-abolir-o-no-pain-no-gain-pode-ser-um-dos-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1390205","title":{"rendered":"Como deixar de ser sedent\u00e1rio? Abolir o \u2018no pain, no gain\u2019 pode ser um dos caminhos"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<p>ENVIADO ESPECIAL AO RIO DE JANEIRO* \u2014 Quando ainda n\u00e3o se falava sobre <b>covid longa<\/b>, a equipe de \u00c1tila Alexandre Trap\u00e9, professor da Escola de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Esporte de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (EEFERP-USP), convidou alguns pacientes, entre 30 e 69 anos, para testar se treinamento em altitudes elevadas poderiam ser aliados na recupera\u00e7\u00e3o das sequelas da infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Tanto pacientes que enfrentaram a altitude durante o exerc\u00edcio quanto aqueles que n\u00e3o tiveram esse desafio (grupo controle) tiveram melhoras nas dimens\u00f5es f\u00edsicas e mentais da qualidade de vida, de acordo com estudo publicado na revista cient\u00edfica <i>Healthcare<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cFizemos a interven\u00e7\u00e3o, observamos uma s\u00e9rie de melhoras, mas, depois de oito semanas de treino, quando interrompemos e existiu um incentivo para que eles continuassem a praticar, mesmo com a possibilidade de fazer isso dentro da universidade, 70% das pessoas n\u00e3o continuaram praticando\u201d, contou o professor durante o <b>Congresso Brain 2024: C\u00e9rebro, Comportamento e Emo\u00e7\u00f5es<\/b>, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 26 e 29 de junho. \u201cO que aconteceu?\u201d<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que nos \u00faltimos anos ficaram ainda mais s\u00f3lidas as evid\u00eancias que associam se movimentar mais com melhores resultados em sa\u00fade, que v\u00e3o de benef\u00edcios cardiovasculares, para cogni\u00e7\u00e3o e at\u00e9 protetivos contra depress\u00e3o e c\u00e2nceres. Os profissionais de sa\u00fade, inclusive, t\u00eam cada vez mais prescrito esse \u201crem\u00e9dio\u201d dentro dos consult\u00f3rios, frisando todas essas vantagens.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/77JSOBV2OJDPTAAZ5NL3GZY7LE.jpeg?auth=d5979fccb4b93bd495a402e5e011e0f347e866a7c2a64c6dbbe1295192570807&amp;smart=true&amp;width=5812&amp;height=4022\" alt=\"Buscar prazer na pr\u00e1tica de exerc\u00edcio e fazer atividades em meio \u00e0 natureza s\u00e3o fatores que ajudam na manuten\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito\" width=\"5812\" height=\"4022\" \/><figcaption>Buscar prazer na pr\u00e1tica de exerc\u00edcio e fazer atividades em meio \u00e0 natureza s\u00e3o fatores que ajudam na manuten\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cQu\u00e3o efetiva de fato essa recomenda\u00e7\u00e3o acaba sendo? Aproximadamente 4% dos pacientes seguem\u201d, disse Felipe Barreto Schuch, professor adjunto e coordenador do grupo de pesquisa em exerc\u00edcio f\u00edsico e sa\u00fade mental da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os dados s\u00e3o de um estudo publicado na <i>JAMA Internal Medicine<\/i>.<\/p>\n<p>Mais do que nunca, sabemos do benef\u00edcio de estar em movimento, mas, mesmo assim, uma verdadeira pandemia de inatividade f\u00edsica, termo usado pelo grupo de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas <i>The Lancet<\/i>, avan\u00e7a.<\/p>\n<p>Conforme mostrou o <b>Estad\u00e3o<\/b>, um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (<b>OMS<\/b>) revelou que <b>31% dos adultos em todo o mundo n\u00e3o atingiram os n\u00edveis recomendados de exerc\u00edcio f\u00edsico em 2022<\/b>. S\u00e3o 1,8 bilh\u00e3o de pessoas que se encaixam no grupo de atividade f\u00edsica insuficiente, um n\u00famero 5% maior do que aquele encontrado pela entidade em 2010.<\/p>\n<p>A preval\u00eancia de sedentarismo est\u00e1 crescendo em 103 dos 197 pa\u00edses do estudo (52%). No Brasil, ela \u00e9 de 40,9% da popula\u00e7\u00e3o, o que coloca o Pa\u00eds entre aqueles distantes de atingir a meta de redu\u00e7\u00e3o em 15% da inatividade f\u00edsica at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Para os especialistas, tudo isso indica que precisamos mudar a forma como pensamos e oferecemos o exerc\u00edcio f\u00edsico. \u00c9 hora de enterrar de vez o \u201c<i>no pain, no gain<\/i>\u201d (sem dor, sem ganho), deixar claro que as pr\u00e1ticas podem ser t\u00e3o divertidas e satisfat\u00f3rias como comportamentos sedent\u00e1rios, tal qual assistir um filme com a fam\u00edlia, e focar no \u201c<i>no fun, no gain<\/i>\u201d ou \u201c<i>no play, no gain<\/i>\u201d (uma esp\u00e9cie de \u201csem divers\u00e3o, sem ganho\u201d).<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos entender o movimento como uma forma de eu me sentir competente e confiante para interagir com o mundo durante toda a minha vida\u201d, resume Andrea Camaz Deslandes, professora do Instituto de Psiquiatria e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Neuroci\u00eancia do Exerc\u00edcio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>\u00c9 esse prop\u00f3sito que eles colocam em pr\u00e1tica nos projetos de extens\u00e3o que oferecem para a comunidade fluminense. \u201cA gente se preocupa em fazer com que eles tenham a possibilidade de se sentir mais competentes, com mais autonomia, com mais pertencimento, porque fica muito mais divertido e eles querem fazer sempre.\u201d<\/p>\n<p>Abaixo, o <b>Estad\u00e3o <\/b>lista e elucida algumas das no\u00e7\u00f5es que, na vis\u00e3o dos especialistas, podem nos ajudar a superar o sedentarismo:<\/p>\n<h3>1. Nem todo comportamento sedent\u00e1rio \u00e9 vil\u00e3o<\/h3>\n<p>Primeiro, \u00e9 preciso deixar claro que entendemos relativamente bem os mecanismos que fazem tanto a atividade (qualquer movimento corporal) quanto o exerc\u00edcio f\u00edsico<i> (<\/i>movimentos realizados de forma programada e sistem\u00e1tica<i>)<\/i> serem aliados da nossa sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo Andrea, quando o m\u00fasculo contrai, produz miocinas, que v\u00e3o favorecer uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro. Com isso, nossos neur\u00f4nios aumentam a produ\u00e7\u00e3o de neurotransmissores (ajudam a mandar informa\u00e7\u00f5es para as c\u00e9lulas) e de fatores neurotr\u00f3ficos (auxiliam no crescimento, sobreviv\u00eancia e diferencia\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios), o que ajuda na resposta vascular, metab\u00f3lica e inclusive de estruturais de circuitos cerebrais. \u201cTudo isso vai favorecer desde a cogni\u00e7\u00e3o, a resposta motora at\u00e9 a parte emocional e altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas.\u201d<\/p>\n<p>Agora, em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento sedent\u00e1rio, embora saibamos que, quando excessivo, est\u00e1 associado a piores desfechos de sa\u00fade, n\u00e3o entendemos exatamente o que ele faz com nosso c\u00e9rebro. Muitas das hip\u00f3teses se baseiam nos benef\u00edcios do exerc\u00edcio f\u00edsico, mas eles s\u00e3o duas coisas completamente diferentes e comportamentos n\u00e3o excludentes, frisam sempre os especialistas.<\/p>\n<p>\u201cA atividade f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 necessariamente o extremo do comportamento sedent\u00e1rio\u201d, fala Schuch. \u201cO que entendemos hoje \u00e9 que eles s\u00e3o fatores de risco independentes e que a combina\u00e7\u00e3o dos dois \u00e9 o que potencializa o efeito protetor da atividade f\u00edsica.\u201d<\/p>\n<p>Para a sa\u00fade mental, nem todo comportamento sedent\u00e1rio \u00e9 igualmente prejudicial, destaca ele. Um estudo publicado na <i>Exercise and Sport Sciences Reviews<\/i> aponta que comportamentos sedent\u00e1rios passivos (por exemplo, assistir televis\u00e3o) parecem aumentar o risco de depress\u00e3o, enquanto aqueles mentalmente ativos (por exemplo, ler) podem ser protetores.<\/p>\n<p>Outras evid\u00eancias mostram que pessoas que t\u00eam uma atividade laboral que envolve muito esfor\u00e7o n\u00e3o necessariamente s\u00e3o mais saud\u00e1veis, segundo Thiago Matias, professor e l\u00edder do grupo de pesquisa em Motiva\u00e7\u00e3o e Movimento Humano (MOTUS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). \u201cOu seja, (<i>a atividade f\u00edsica<\/i>) n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o s\u00f3 mec\u00e2nica.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO comportamento sedent\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 completamente um vil\u00e3o para as nossas vidas. Precisamos dele para descansar e muitas vezes refletir sobre a vida. Isso se torna um problema quando ele \u00e9 excessivo e tamb\u00e9m quando \u00e9 excessivo em um comportamento cognitivamente passivo\u201d, resume Schuch.<\/p>\n<h3>2. Comece devagar<\/h3>\n<p>Saltar do comportamento sedent\u00e1rio para uma atividade moderada pode ser um passo grande demais. Segundo Matias, \u00e9 como se a gente estivesse pulando o degrau das atividades leves. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil saltar essa escada.\u201d<\/p>\n<p>As diretrizes da OMS e outros guias internacionais s\u00e3o claros: para os adultos, ao menos 150 minutos de atividade f\u00edsica moderada por semana. Essa express\u00e3o \u201cao menos\u201d d\u00e1 uma ideia de que tudo que fica abaixo de 150 \u00e9 irrelevante, mas o que as pesquisas t\u00eam apontado, principalmente para a sa\u00fade mental, \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>De acordo com um estudo publicado no <i>JAMA Psychiatry<\/i>, adultos que acumularam metade do volume de exerc\u00edcio recomendado tiveram 18% menos risco de depress\u00e3o do que aqueles que n\u00e3o fizeram nada. Aqueles que atingiram o total de 150 minutos apresentaram um risco 25% menor.<\/p>\n<p>Ainda que as melhores evid\u00eancias para outros desfechos de sa\u00fade sejam mais s\u00f3lidas para o padr\u00e3o das diretrizes, novas vem surgindo. \u201cQuarenta minutos de caminhada leve na semana est\u00e1 associada \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o em torno de 20% da mortalidade\u201d, fala Trap\u00e9, citando um estudo publicado no <i>Canadian Journal of Cardiology<\/i>. \u201cPequenos esfor\u00e7os podem trazer grandes benef\u00edcios.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com os especialistas, atividades leves podem ser passear com o cachorro, ir andando at\u00e9 o trabalho, sair para a feira ou n\u00e3o deixar mais uma garrafa na mesa do trabalho e levantar-se para buscar. Novamente, atividades no momento de lazer parecem ser mais ben\u00e9ficas, mas isso n\u00e3o significa que, em outros momentos, os benef\u00edcios ser\u00e3o desprez\u00edveis.<\/p>\n<p>Isso, \u00e9 claro, n\u00e3o significa que n\u00e3o devam existir metas. Por\u00e9m, o ideal \u00e9 que elas sejam de curto prazo e realistas. Depois de atingidas podem ser aumentadas at\u00e9 atingir a recomenda\u00e7\u00e3o, mas um degrau por vez. \u201cQualquer atividade f\u00edsica \u00e9 melhor do que nenhuma\u201d, repetiram v\u00e1rios dos especialistas durante o Congresso Brain.<\/p>\n<h3>3. Sentir, explorar, transformar e conectar<\/h3>\n<p>\u201cUma coisa importante para a gente entender a a\u00e7\u00e3o, a atividade f\u00edsica, \u00e9 entender que ela est\u00e1 atrelada aos atributos emocionais\u201d, fala Thiago Matias. Junto ao professor Joe Piggin, da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, ele desenvolveu a Teoria Unificadora da Atividade F\u00edsica, publicada na revista <i>Quest<\/i>, da <i>National Association for Kinesiology in Higher Education (NAKHE)<\/i>.<\/p>\n<p>Essa nova maneira de pensar o movimento aponta que a atividade f\u00edsica responde a necessidades humanas muito b\u00e1sicas: sentir, explorar, transformar e conectar. \u201cTodo o esfor\u00e7o do ser humano para ser ativo tem uma orienta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria para que consigamos compreender mais sobre a gente, sobre os outros e o ambiente onde estamos.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, os comportamentos sedent\u00e1rios, como sair para beber com os amigos e ver um seriado ao lado da fam\u00edlia, t\u00eam respondido melhor a essas necessidades. Isso, diz, porque a maneira como representamos e pensamos a atividade f\u00edsica \u00e9 \u201cmeio desalmada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA gente depositou uma cren\u00e7a grande nos atributos da sa\u00fade, justamente porque entendemos que se mexer \u00e9 bom para ela. E esse passou a ser o discurso para justificar por que precisamos nos mexer, e a\u00ed pode estar o problema. Isso \u00e9 muito distante do que n\u00f3s necessitamos.\u201d<\/p>\n<p>Ou seja, a atividade f\u00edsica sugerida e escolhida vai ter que ser uma contrapartida melhor do que os comportamentos sedent\u00e1rios. \u201cTem forr\u00f3 nesse mundo, tem capoeira, tem dan\u00e7a. Coisas que nos mobilizam mesmo quando estamos cansados.\u201d<\/p>\n<h3>4. Encontre motiva\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Alimentar as necessidades humanas b\u00e1sicas pode ajudar a encontrar a motiva\u00e7\u00e3o para a pr\u00e1tica, que vai ser determinante, por exemplo, para o engajamento. Segundo os especialistas, h\u00e1 dois tipos de motiva\u00e7\u00e3o, a intr\u00ednseca e a extr\u00ednseca.<\/p>\n<p>Essa \u00faltima pode ser muito boa para iniciar a pr\u00e1tica, pois tem a ver com coisas externas, como um ambiente e um educador f\u00edsico legais. Mas ser\u00e1 necess\u00e1rio mais do que isso para que a pessoa se mantenha motivada. Por isso, \u00e9 preciso encontrar um motivo intr\u00ednseco, que est\u00e1 dentro de voc\u00ea e vai ser diferente para cada pessoa.<\/p>\n<p>Ao falar sobre motiva\u00e7\u00e3o, Marco T\u00falio de Mello, professor do departamento de Esportes, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conta sobre o dia que o pai deixou de fumar. Ele havia tido um infarto. Quando o filho chegou ao hospital, encontrou ele fumando. \u201cFalei: \u2018pai, vou demorar para casar. Depois, devo demorar um pouco ainda para ter filhos. Quero muito que meu filho conhe\u00e7a o av\u00f4 dele, e quero muito que meu pai conhe\u00e7a o meu filho. Se o senhor puder esperar, agrade\u00e7o.\u2019\u201d<\/p>\n<h3>5. Busque atividades em grupo<\/h3>\n<p>\u00c9 nesse sentido que buscar movimento em grupo pode ser uma boa pedida. Inclusive, pesquisadores brasileiros convidaram quase cem volunt\u00e1rios para um programa de exerc\u00edcios de um ano. Eram tr\u00eas sess\u00f5es por semana de n\u00e3o mais de 90 minutos por dia. Eles puderam escolher o tipo de treino: de for\u00e7a, aer\u00f3bico ou concorrente (jun\u00e7\u00e3o das duas modalidades).<\/p>\n<p>Setenta e tr\u00eas volunt\u00e1rios n\u00e3o completaram o protocolo, e 21 volunt\u00e1rios completaram. Um participante foi considerado um desistente se n\u00e3o compareceu ao treinamento por duas semanas consecutivas ou 36 sess\u00f5es n\u00e3o consecutivas. Os resultados foram publicados na <i>Frontiers in Psychology<\/i>.<\/p>\n<p>As pessoas que conclu\u00edram o treinamento apresentaram maiores n\u00edveis de sociabilidade no Invent\u00e1rio de Motiva\u00e7\u00e3o para a Pr\u00e1tica Regular de Atividade F\u00edsica e\/ou Esportes. Ou seja, viam o treino como uma oportunidade de encontrar pessoas e conversar, por exemplo. Um incremento de um ponto nessa pontua\u00e7\u00e3o aumentou a chance de concluir o programa em 10%.<\/p>\n<p>\u201cA sociabiliza\u00e7\u00e3o parece ser algo extremamente interessante como uma estrat\u00e9gia\u201d, falou Marco T\u00falio de Mello, durante o Brain. Ele \u00e9 um dos pesquisadores que assinam o estudo.<\/p>\n<h3>6. Tente se exercitar em um ambiente natural<\/h3>\n<p>O contexto no qual o exerc\u00edcio \u00e9 feito, em especial o local, importa muito, segundo Jo\u00e3o Bento Torres Neto, professor das disciplinas de Neuroci\u00eancia do Exerc\u00edcio e Neuroci\u00eancia Aplicada ao Treinamento Esportivo da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA). \u201cFazer exerc\u00edcio f\u00edsico em ambiente natural aumenta a motiva\u00e7\u00e3o para repetir.\u201d Ele pode ser tanto um exerc\u00edcio verde, relativo a um espa\u00e7o arborizado de floresta ou parque, ou azul, como na orla de uma praia.<\/p>\n<p>Segundo ele, isso est\u00e1 associado a uma ativa\u00e7\u00e3o mais importante do sistema de recompensa do nosso c\u00e9rebro, que promove uma sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar. \u201cExiste um deslumbramento quando se faz exerc\u00edcio f\u00edsico em ambiente natural.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDescobriu-se que exercitar-se em espa\u00e7os verdes \u00e9 uma maneira de reduzir a raiva, a fadiga, a ansiedade e a tristeza auto-relatadas. Pessoas que se exercitavam em espa\u00e7os verdes apresentaram melhoras no humor e na autoestima, em especial quando h\u00e1 presen\u00e7a de \u00e1gua\u201d, diz um relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Europeia do Ambiente.<\/p>\n<h3>7. Tente regular o sono<\/h3>\n<p>O sono pode ter um papel importante no n\u00edvel de atividade e exerc\u00edcio f\u00edsico, embora ainda seja dif\u00edcil entender o que acontece primeiro. De qualquer forma, tentar regular o sono pode ajudar \u2014 assim como se movimentar mais nos auxilia a dormir melhor.<\/p>\n<p>\u201cO comportamento sedent\u00e1rio vai fazer com que haja um arrastamento do ciclo circadiano (<i>nosso rel\u00f3gio biol\u00f3gico<\/i>), que vai alterar completamente o padr\u00e3o de sono\u201d, disse Marco T\u00falio de Mello.<\/p>\n<p>Segundo Monica Levy Andersen, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e diretora do Instituto do Sono, o que est\u00e1 bem estabelecido \u00e9 que a priva\u00e7\u00e3o de sono diminui a quantidade de atividade f\u00edsica de uma pessoa. \u201cEu n\u00e3o subo mais escada, n\u00e3o vou mais \u00e0 padaria e eu n\u00e3o quero mais levantar para trocar meu canal de televis\u00e3o. Priva\u00e7\u00e3o de sono faz in\u00e9rcia. E isso leva a mais problemas de sono.\u201d<\/p>\n<h3>8. Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h3>\n<p>Os especialistas tamb\u00e9m frisaram no Congresso Brain que n\u00e3o podemos responsabilizar apenas o indiv\u00edduo pela inatividade f\u00edsica. \u00c9 preciso pensar em como derrubar barreiras socioecon\u00f4micas que tornam alguns mais vulner\u00e1veis \u00e0 pandemia da falta de movimento.<\/p>\n<p>\u201cDados da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade mostram que a preval\u00eancia de atividade f\u00edsica na popula\u00e7\u00e3o geral brasileira \u00e9 de 23%. Para homens brancos, com ensino superior completo, no quartil mais alto de renda, que representam s\u00f3 3% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, \u00e9 de quase 50%. Enquanto nas mulheres n\u00e3o brancas, com baixa escolaridade e baixa renda, que representam 8% da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 de 10%\u201d, mostrou Trap\u00e9. \u201cAs pol\u00edticas brasileiras transferem muita responsabilidade para o sujeito\u201d, fala Thiago Matias.<\/p>\n<p><i>*O rep\u00f3rter viajou a convite do Congresso Brain 2024: C\u00e9rebro, Comportamento e Emo\u00e7\u00f5es<\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENVIADO ESPECIAL AO RIO DE JANEIRO* \u2014 Quando ainda n\u00e3o se falava sobre covid longa,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1402194,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8404,8402,8198],"tags":[],"class_list":["post-1390205","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-prevencao","category-saude","category-vida-e-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1390205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1390205"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1390205\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1402195,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1390205\/revisions\/1402195"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1402194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1390205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1390205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1390205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}