{"id":1376673,"date":"2024-12-18T19:52:10","date_gmt":"2024-12-18T19:52:10","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1376673"},"modified":"2026-05-18T16:04:32","modified_gmt":"2026-05-18T19:04:32","slug":"shopping-na-aldeia-como-dolares-do-carbono-afetam-indigenas-na-guiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1376673","title":{"rendered":"Shopping na aldeia: como d\u00f3lares do carbono afetam ind\u00edgenas na Guiana"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<p><big class=\"tagline\"><em>Exclu\u00eddos da negocia\u00e7\u00e3o, ind\u00edgenas da Guiana denunciam a perda autonomia sobre os territ\u00f3rios<\/em><\/big><\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-featured_image_large wp-image-115572\" src=\"https:\/\/pt.globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/RAFAELVILELA_028_20240716-800x450.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" aria-describedby=\"caption-attachment-115572\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Rafael Villela\/Ag\u00eancia P\u00fablica<\/p>\n<\/div>\n<p><em>Este artigo, escrito por Clarissa Levy e editado por Marina Amaral, foi originalmente publicado no site da Ag\u00eancia P\u00fablica em 16 de outubro de 2024. Ele foi editado por quest\u00f5es de espa\u00e7o e contexto aqui sob acordo de parceria com o Global Voices.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>No centro da aldeia fica o campo de futebol. Ao redor dele, se erguem em madeira bem pintada as principais constru\u00e7\u00f5es coletivas dos cerca de mil ind\u00edgenas Kapohn que vivem nas margens do rio Kako, em um peda\u00e7o de floresta amaz\u00f4nica conservada a menos de 40 quil\u00f4metros da fronteira da Guiana com a Venezuela. Perto da igreja e ao lado do centro de sa\u00fade, reluz em pintura verde-clara o mais novo empreendimento da aldeia: um shopping, ou um galp\u00e3o de lojas, em uma defini\u00e7\u00e3o menos estridente.<\/p>\n<p>O Andy&#8217;s Mall \u00e9 o resultado da primeira remessa de d\u00f3lares entregue pelo governo da Guiana aos ind\u00edgenas da regi\u00e3o Kako, que se orgulham ao dizer que foram os \u00faltimos a capitular e assinar o contrato com o governo que sela a convers\u00e3o de suas florestas em cr\u00e9ditos de carbono, vendidos para a Hess Corporation, uma empresa americana de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A venda do primeiro lote de cr\u00e9ditos de carbono emitidos pelo pa\u00eds, pelo desmatamento evitado entre 2016 e 2020, foi concretizada em 2022 e ganhou manchetes internacionais. A a\u00e7\u00e3o fez da Guiana o primeiro pa\u00eds\u00a0 do mundo em que cr\u00e9ditos emitidos em escala nacional e gerenciados por uma inst\u00e2ncia governamental \u2013 \u201ccr\u00e9dito jurisdicional\u201d no termo usado pelo setor \u2013 ficam dispon\u00edveis para serem vendidos no mercado privado.<\/p>\n<p>Quase 100% da \u00e1rea de floresta da pequena na\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul foi abarcada na negocia\u00e7\u00e3o. Juntando em um mesmo pacote as florestas p\u00fablicas e as \u00e1reas ind\u00edgenas tituladas, o governo certificou e emitiu cr\u00e9ditos dos cerca de 18,4 milh\u00f5es de hectares de floresta do pa\u00eds. A venda desse primeiro lote de 30% dos cr\u00e9ditos rendeu 150 milh\u00f5es de d\u00f3lares em 2022.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da Guiana, Dr. Irfaan Ali, atualmente as terras ind\u00edgenas tituladas correspondem a 16,4% do territ\u00f3rio da Guiana. Considerando tamb\u00e9m as terras que ainda est\u00e3o em processo de titula\u00e7\u00e3o, as \u00e1reas ind\u00edgenas equivaleriam a aproximadamente 15%, explicou \u00e0 P\u00fablica Predeepa Bholanath, n\u00famero dois na Estrat\u00e9gia de Desenvolvimento de Baixo Carbono (LDCS) do governo. Foi com base nessa propor\u00e7\u00e3o que o governo calculou que 15% do valor pago pela Hess Corporation deveria ir para os ind\u00edgenas, ela afirmou.<\/p>\n<p>Nos meses seguintes \u00e0 assinatura da primeira venda de cr\u00e9ditos para a petrol\u00edfera, cada aldeia recebeu uma fatia do pagamento de acordo com o n\u00famero de habitantes. Somando, em 2023, foram repassados 22,3 milh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0s comunidades tituladas. Todas as aldeias reconhecidas oficialmente assinaram cartas de ades\u00e3o ao programa \u2013 condi\u00e7\u00e3o inicial para acessar os fundos.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2023, a aldeia Kako recebeu 114 mil d\u00f3lares do governo da Guiana. Assim como nas outras 241 aldeias do pa\u00eds, o governo criou uma conta banc\u00e1ria no nome do cacique e avisou que o pagamento poderia ser retirado mediante a aprova\u00e7\u00e3o de um plano de sustentabilidade.<\/p>\n<p>\u201cNos deram uma semana para decidir o que fazer com o dinheiro do carbono, para entregar um plano. Eu pensei que um shopping seria uma boa ideia para nossos jovens. Todo mundo quer ter seu primeiro neg\u00f3cio\u201d, conta Kathleen Andrews, 54 anos, professora aposentada que integra o conselho de lideran\u00e7as da Kako.<\/p>\n<p>Constru\u00eddo para abrigar 12 lojas, o empreendimento ainda n\u00e3o engatou. Quando a Ag\u00eancia P\u00fablica visitou a Kako, em meados de julho de 2024, s\u00f3 uma loja estava funcionando. Vendendo p\u00e3o de mandioca, salgadinhos e produtos de limpeza, a ind\u00edgena que tomava conta da loja contou que atende dois ou tr\u00eas clientes por dia.<\/p>\n<p>Sete meses depois da inaugura\u00e7\u00e3o, Kathleen desabafa: \u201cHoje vemos que nossa ideia de construir o <em>mall<\/em> beneficiou uma pessoa s\u00f3: o construtor\u201d.<\/p>\n<h4>\u2018Fomos for\u00e7ados a assinar\u2019<\/h4>\n<p>Bholanath, que coordena as negocia\u00e7\u00f5es de carbono junto do ex-presidente Bharrat Jadgeo, que criou a iniciativa durante seu mandato, disse: \u201cN\u00f3s n\u00e3o tivemos ningu\u00e9m contra, [ou] n\u00e3o concordando, n\u00e3o recebendo a verba. Se fosse o caso, bom, a diferen\u00e7a \u00e9 que o dinheiro ia ficar na conta do cacique sem ele sacar. Porque o governo ia depositar o repasse de toda forma\u201d.<\/p>\n<p>Mario Hastings, que era cacique da Kako \u00e0 \u00e9poca, discorda. Ele diz que sentiram como se n\u00e3o tivessem escolha, e que, apesar da maioria dos caciques do Conselho Nacional Toshaos (NTC) terem aderido ao projeto, foram for\u00e7ados a assinar. O voto dele no conselho foi vencido na discuss\u00e3o sobre o projeto de carbono. \u201cPara n\u00f3s n\u00e3o teve escolha. Fomos for\u00e7ados a assinar\u201d, diz.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do shopping quase estagnado mostra que, sem a participa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas com orienta\u00e7\u00e3o e tempo para elaborar esses projetos, o resultado est\u00e1 longe de corresponder na pr\u00e1tica a projetos autossustent\u00e1veis. Afinal, os ind\u00edgenas da Kako seguiram o estabelecido pelo governo na elabora\u00e7\u00e3o do plano anual de desenvolvimento sustent\u00e1vel que resultou no Andy&#8217;s Mall. N\u00e3o muito diferente do que aconteceu nas outras 241 aldeias da Guiana, com varia\u00e7\u00f5es \u2013 algumas investiram na constru\u00e7\u00e3o de business centers, outras em estruturas para receber turistas, outras ainda em equipamentos para planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Percorrendo os rios Mazaruni e Kako, na por\u00e7\u00e3o oeste da Guiana, dentro do Territ\u00f3rio do Essequibo, alvo de uma disputa envolvendo a Venezuela, a Ag\u00eancia P\u00fablica entrevistou 22 ind\u00edgenas da regi\u00e3o, das etnias Akawaio e Arekuna. Todos reclamaram da perda de autonomia sobre seus territ\u00f3rios. \u201cDo jeito que est\u00e1 \u00e9 como se o governo fosse dono de todas as terras, e n\u00e3o \u00e9 assim\u201d, resume Laura George, uma advogada ind\u00edgena que acredita que o projeto de carbono significa perda de controle dos ind\u00edgenas sobre suas terras.<\/p>\n<p>Segundo o Amerindian Act \u2013 legisla\u00e7\u00e3o de 2006 que estabelece os direitos ind\u00edgenas na Guiana -, os povos devem ser consultados sobre projetos que os impactam e o conselho local tem o poder de autorizar ou n\u00e3o determinados usos do territ\u00f3rio, como arrendamentos de \u00e1reas ou explora\u00e7\u00e3o de madeira. Mas a mesma legisla\u00e7\u00e3o abre brechas para a execu\u00e7\u00e3o de projetos do governo em suas \u00e1reas, mesmo sem o consentimento dos ind\u00edgenas, como em situa\u00e7\u00f5es em que \u201ca minera\u00e7\u00e3o em larga escala seja considerada de interesse p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<h4>A verba chega, mas o reconhecimento fundi\u00e1rio n\u00e3o<\/h4>\n<p>Em uma manh\u00e3 quente no final de julho, 47 ind\u00edgenas da Kako se juntaram no centro comunit\u00e1rio da aldeia para receber a equipe da P\u00fablica, e compartilharam suas preocupa\u00e7\u00f5es e ang\u00fastias com o projeto de cr\u00e9ditos de carbono.<\/p>\n<p>\u201cMinha pergunta \u00e9: por que nos d\u00e3o essa porcentagem [de renda] em vez de reconhecerem nossos direitos tradicionais de propriedade sobre as florestas que est\u00e3o em p\u00e9 na Guiana?\u201d, perguntou Stephanie Crammer, uma das presentes.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje os Kapohn n\u00e3o t\u00eam suas terras totalmente demarcadas e protegidas. Em 1991, conseguiram um t\u00edtulo fundi\u00e1rio, mas o documento abarca somente uma parte de suas terras tradicionais \u2013 a por\u00e7\u00e3o que fica no entorno da aldeia atual. As \u00e1reas usadas para plantio e para moradias tradicionais do outro lado do rio, apesar de fazerem parte do cotidiano dos Kapohn, n\u00e3o foram inclu\u00eddas na demarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o estamos no mapa, mas as concess\u00f5es miner\u00e1rias est\u00e3o\u201d, reclamou Derrick Krammer, logo em seguida na mesma reuni\u00e3o. \u201cSe a minera\u00e7\u00e3o seguir assim, como v\u00e3o ter mais carbono?\u201d.<\/p>\n<p>A P\u00fablica questionou o governo da Guiana sobre o fato de as \u00e1reas desmatadas pela minera\u00e7\u00e3o constarem nas terras que geraram os cr\u00e9ditos comercializados. Predeepa Bholanath afirmou que o governo mapeia via sat\u00e9lite as \u00e1reas degradadas pelo garimpo e desconta da contagem de cr\u00e9ditos, mas, nos documentos p\u00fablicos do projeto, analisados pela reportagem, n\u00e3o h\u00e1 mapas que permitam a visualiza\u00e7\u00e3o exata de quais s\u00e3o os pontos de floresta derrubada subtra\u00eddos da conta geral.<\/p>\n<p>Agora, no segundo ano do projeto de carbono, o presidente Irfaan Ali anunciou no encontro nacional dos caciques que as comunidades receber\u00e3o a mesma quantia do ano anterior, em valores l\u00edquidos, apesar de o pa\u00eds ter recebido menos pelos cr\u00e9ditos neste ano (ganhou 87 milh\u00f5es de d\u00f3lares no total), ficando com 26,7% do lucro total com a venda dos cr\u00e9ditos. Novamente, o conselho dos caciques selou o apoio da maioria das lideran\u00e7as ao projeto governamental.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, longe da capital Georgetown,\u00a0v\u00e1rias perguntas continuam sem resposta, o que tem angustiado os ind\u00edgenas que reclamam ter sido alijados do debate sobre o destino de seus territ\u00f3rios. \u201cO programa nunca foi explicado em detalhes para n\u00f3s. A estrat\u00e9gia j\u00e1 tinha sido desenhada pelo governo, sem as nossas contribui\u00e7\u00f5es enquanto ind\u00edgenas\u201d, diz Alma Marshall, da comunidade Kamarang.<\/p>\n<p>Muitos apontaram tamb\u00e9m a pressa embutida no cronograma do projeto como um fator problem\u00e1tico. \u201cGostaria de ver como poder\u00edamos criar e modelar uma trajet\u00f3ria de desenvolvimento que fosse nossa mesmo, n\u00e3o apenas uma r\u00e9plica\u201d, disse Romario Hastings, o novo cacique da Kako, eleito em junho deste ano para assumir o cargo ocupado em duas gest\u00f5es pelo pai.<\/p>\n<p>\u201cPodemos criar um futuro onde, por exemplo, o conhecimento ind\u00edgena tenha mais valor nas nossas comunidades, em como criamos nossas estruturas e vivemos nossa cultura\u201d, reflete. \u201cEu sei que \u00e9 muita coisa. Mas acho que um homem jovem pode sonhar, n\u00e3o \u00e9?\u201d.<\/p>\n<div class=\"gv-rss-footer\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"text-credits-container\">\n<div class=\"text-credits-section\"><span class=\"credit-label\">Escrito por<\/span> <a class=\"user-link\" href=\"https:\/\/pt.globalvoices.org\/author\/publica\/\">P\u00fablica \u2013 Ag\u00eancia de jornalismo investigativo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exclu\u00eddos da negocia\u00e7\u00e3o, ind\u00edgenas da Guiana denunciam a perda autonomia sobre os territ\u00f3rios Foto: Rafael&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1402731,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8214,8199,8195],"tags":[],"class_list":["post-1376673","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-mundo","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1376673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1376673"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1376673\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1402732,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1376673\/revisions\/1402732"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1402731"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1376673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1376673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1376673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}