{"id":1295558,"date":"2015-09-18T11:43:44","date_gmt":"2015-09-18T11:43:44","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1295558"},"modified":"2026-03-30T10:23:27","modified_gmt":"2026-03-30T13:23:27","slug":"sao-paulo-mantem-mas-nao-preserva-a-lenda-do-dc-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1295558","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo mant\u00e9m, mas n\u00e3o preserva a lenda do DC-3"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1298672\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/dc3-na-pista-1024x559-1.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"559\" srcset=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/dc3-na-pista-1024x559-1.png 1024w, https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/dc3-na-pista-1024x559-1-600x328.png 600w, https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/dc3-na-pista-1024x559-1-768x419.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Um saudoso modelo do avi\u00e3o Douglas DC-3, que permitiu o desenvolvimento da avia\u00e7\u00e3o comercial brasileira, trazendo pujan\u00e7a para S\u00e3o Paulo e para o Brasil no per\u00edodo p\u00f3s-guerra (d\u00e9cada de 1940), encontra-se estacionado em um canto do p\u00e1tio do Pal\u00e1cio das Ind\u00fastrias, no Parque Dom Pedro II, onde funciona o Projeto Catavento, voltado \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O aparelho deveria estar em melhor estado de conserva\u00e7\u00e3o para ser mais visto e visitado, at\u00e9 mesmo ter algu\u00e9m para explicar o seu funcionamento e a import\u00e2ncia que teve ao desbravar os mais distantes e isolados rinc\u00f5es do pa\u00eds, em especial o Norte, o Centro-Oeste e o Nordeste, levando malotes do Correio A\u00e9reo Nacional, dinheiro para os bancos, medicamentos, passageiros e encomendas diversas, permitindo a integra\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento irradiados a partir do Aeroporto de Congonhas, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00danica vantagem em se ter um DC &#8211; 3 parado em uma \u00e1rea do centro paulistano \u00e9 que ao fotograf\u00e1-lo, aparece ao fundo o edif\u00edcio Altino Arantes, mais conhecido como &#8220;pr\u00e9dio do Banespa&#8221;, um dos cart\u00f5es postais da cidade de S\u00e3o Paulo em qualquer parte do mundo. Inspirado nesse visual \u00e9 que busquei informa\u00e7\u00f5es sobre esse avi\u00e3o com um amigo chamado Wanderley Duck, que me mandou um texto de um antigo aviador, Camilo R. C. Fernandes Costa, com mais detalhes desse aparelho.<\/p>\n<p>Camilo conta que a maioria dos treze mil DC-3 fabricados pela Douglas, em Long Beach, na Fl\u00f3rida (E.U.A.), est\u00e1 atualmente em museus e hangares, mas ainda existem quatrocentos DC-3 em servi\u00e7o comercial no mundo. No Brasil, os DC-3 come\u00e7aram a operar em 1935 e viveram mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de gl\u00f3ria. A antiga Pan Air do Brasil chegou a ter 23 aparelhos DC-3 e a Real Aerovias operou 70 DC-3. A Varig utilizou-os at\u00e9 fevereiro de 1973 e a Vasp empregou avi\u00f5es DC-3 em sua Rede de Integra\u00e7\u00e3o Nacional, subvencionada pelo governo federal. Pequenas linhas regionais fizeram uso do DC-3 no Brasil at\u00e9 1985, embora pertencem a uma \u00e9poca em que havia romantismo e glamour nas viagens de avi\u00e3o. &#8220;Viajar de avi\u00e3o era sempre um grande acontecimento na vida das pessoas, principalmente porque o custo das viagens era elevado. Os DC-3 tinham 28 lugares, em 14 fileiras, mais o acento do comiss\u00e1rio&#8221;, explica Camilo Costa, avisando que a aeronave n\u00e3o subia al\u00e9m de tr\u00eas mil metros de altitude, por n\u00e3o ser pressurizada. Como n\u00e3o subia acima das nuvens, os pilotos precisavam encarar as tempestades debaixo d&#8217;\u00e1gua, e os consequentes raios e trovoadas. &#8220;Assim, uma viagem do Rio de Janeiro a Natal, por exemplo, levava oito horas. S\u00e3o Paulo a Rio Branco ou S\u00e3o Luis, dois dias, com pernoite, voando somente durante o dia. Os pernoites eram em Cuiab\u00e1 ou em Goi\u00e2nia&#8221;, informa.<\/p>\n<p>Em abril de 1945 a Pan Air recebeu sua primeira aeronave DC-3 (prefixo PP-PBU), marcando \u00e9poca em suas opera\u00e7\u00f5es. A partir da d\u00e9cada de 1970, os DC-3 passaram a ser vistos como obsoletos, pois estavam entrando no mercado os avi\u00f5es turbo -h\u00e9lice e a jato puro. Mas foi um DC-3, denominado &#8220;Clipper&#8221;, da Pan American, com o Comandante Wood, entre outros avi\u00f5es, que deixou a esta\u00e7\u00e3o de passageiros do Aeroporto de Congonhas e inaugurou sua torre de controle em agosto de 1945. Os DC-3 eram resistentes e pousavam at\u00e9 em pistas prec\u00e1rias, de cascalho ou de terra batida. Possu\u00edam dois motores Pratt &amp; Whitney R-1830-92 a h\u00e9lice, robustos, a gasolina, com 1.050 HP cada um. &#8220;Tanta capacidade, o ajudava enfrentar os piores solavancos em m\u00e3os inexperientes ou nas m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es dos campos de pouso, pois eram a vers\u00e3o comercial do avi\u00e3o militar C-47 usado pela For\u00e7a A\u00e9rea dos Estados Unidos na Segunda Guerra para o transporte de tropas, equipamentos, armas e muni\u00e7\u00e3o. Terminado o conflito, o excedente de produ\u00e7\u00e3o foi vendido a companhias a\u00e9reas brasileiras por pre\u00e7os irris\u00f3rios, esclarece Camilo.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m lembrar que as Bases A\u00e9reas do Nordeste Brasileiro, em especial a Base de Natal, serviram de maneira eficaz aos pa\u00edses aliados, proporcionando o sobrevoo do territ\u00f3rio africano, ent\u00e3o em poder do inimigo. &#8220;Nessa \u00e9poca, formou-se no nosso Nordeste o chamado &#8220;Trampolim da Vit\u00f3ria&#8221;, onde o DC-3 exerceu papel vital, visto que os Estados Unidos haviam perdido sua rota a\u00e9rea para a Austr\u00e1lia, cortada pelo inimigo, com a tomada da Ilha Wake que impossibilitava o acesso ao Pac\u00edfico Ocidental, colocando em risco as for\u00e7as aliadas naquela regi\u00e3o&#8221;, escreve o especialista, acrescentando que &#8220;as bases no Brasil permitiram enviar os refor\u00e7os necess\u00e1rios ao Pac\u00edfico e foi gra\u00e7as \u00e0 muni\u00e7\u00e3o embarcada em nosso Nordeste que o Marechal Rommel recuou em El Alamein. T\u00e3o importante foram as bases do Nordeste, que o General Henry H. Arnold, comandante da For\u00e7a A\u00e9rea dos Estados Unidos, declarou, em banquete oferecido pelo Ministro Salgado Filho, &#8220;ter sido imposs\u00edvel vencer sem as bases do Brasil&#8221;. Com a venda dos equipamentos a\u00e9reos de guerra ao Brasil, muitos r\u00e1dio-amadores vieram a possuir um receptor BC-348 usado no DC-3. Esses avi\u00f5es levavam na tripula\u00e7\u00e3o, um r\u00e1dio-operador telegrafista.<\/p>\n<p>Aos poucos, os DC &#8211; 3 foram sendo substitu\u00eddos por outros avi\u00f5es, como os YS-11, de fabrica\u00e7\u00e3o japonesa, em \u00e9poca que os Bandeirantes, da Embraer, j\u00e1 come\u00e7avam a operar no territ\u00f3rio nacional. O ent\u00e3o presidente da Vasp, Luiz Rodovil Rossi, chegou a entregar alguns DC-3 para o Projeto Rondon, como doa\u00e7\u00e3o para objetivos altamente patri\u00f3ticos, levando universit\u00e1rios em per\u00edodo de f\u00e9rias a regi\u00f5es remotas da Amaz\u00f4nia, para prestar socorro m\u00e9dico e odontol\u00f3gico. Foi num DC-3 que o ditador Fulg\u00eancio Batista partiu de Cuba para o ex\u00edlio ap\u00f3s a vit\u00f3ria de Fidel e Guevara na Revolu\u00e7\u00e3o de 1959. Em alguns lugares do Brasil, voava-se de DC-3 sem radar a bordo, onde o \u00fanico aux\u00edlio de terra eram as emissoras comerciais de r\u00e1dio AM.<\/p>\n<p>Um r\u00e1dio-goni\u00f4metro a bordo (Automatic Direction Finder &#8211; ADF) indicava ao piloto o rumo da esta\u00e7\u00e3o. &#8220;Os DC-3 foram a grande escola dos futuros pilotos e comandantes dos turbo-h\u00e9lices e jatos que viriam em seguida&#8221;, conclui Camilo R.C.Fernandes Costa em seu artigo a n\u00f3s oferecido. Por essas informa\u00e7\u00f5es e tantas mais \u00e9 que os exemplares existentes do avi\u00e3o Douglas DC &#8211; 3 de longas asas que possibilitavam continuar voando mais algum tempo, como um planador, mesmo sem combust\u00edvel, merecem melhor preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1380021\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/MINI-noticias-removebg.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um saudoso modelo do avi\u00e3o Douglas DC-3, que permitiu o desenvolvimento da avia\u00e7\u00e3o comercial brasileira,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1298672,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8197,19552,8277],"tags":[19580,2286,19585,19579,1158,19586,19581,19587,19582,19583,19588,554,19584],"class_list":["post-1295558","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conhecimento-e-curiosidades","category-fatos-historicos","category-historia","tag-aviacao-comercial","tag-aviao","tag-camilo-r-c-fernandes-costa","tag-douglas-dc-3","tag-florida","tag-long-beach","tag-palacio-das-industrias","tag-pan-air-do-brasil","tag-parque-dom-pedro-ii","tag-projeto-catavento","tag-real-aerovias","tag-sao-paulo","tag-wanderley-duck"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1295558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1295558"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1295558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1381294,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1295558\/revisions\/1381294"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1298672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1295558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1295558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1295558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}