{"id":1264160,"date":"2025-12-09T12:37:42","date_gmt":"2025-12-09T15:37:42","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1264160"},"modified":"2025-12-09T12:48:00","modified_gmt":"2025-12-09T15:48:00","slug":"serpentes-atlanticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1264160","title":{"rendered":"Serpentes atl\u00e2nticas &#8211; Saiba mais"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<div class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid\">\n<div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12\">\n<div class=\"vc_column-inner\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1268717\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/wzgfmg17cc_richn4yfyg.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/wzgfmg17cc_richn4yfyg.jpg 750w, https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/wzgfmg17cc_richn4yfyg-600x280.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>A mata atl\u00e2ntica, que j\u00e1 se estendeu por mais de um milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados do Piau\u00ed ao Rio Grande do Sul, hoje se encontra completamente fragmentada, reduzida a 16% de sua exuber\u00e2ncia original, de acordo com as estimativas otimistas. Ainda assim, essa floresta mant\u00e9m parte de sua grandiosidade, abrigando uma rica biodiversidade, da qual uma fra\u00e7\u00e3o significativa \u00e9 end\u00eamica, ou seja, n\u00e3o existe em outro lugar.<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o da mata atl\u00e2ntica varia ao longo de sua extens\u00e3o devido \u00e0 presen\u00e7a de climas variados, com regimes de temperatura e precipita\u00e7\u00e3o diferentes em cada regi\u00e3o. Portanto, \u00e9 de se esperar que a fauna que nela habita tamb\u00e9m apresente varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para entender melhor como a fauna est\u00e1 organizada em uma regi\u00e3o t\u00e3o ampla e diversa como a mata atl\u00e2ntica, \u00e9 necess\u00e1rio aplicar uma t\u00e9cnica conhecida como regionaliza\u00e7\u00e3o. Por meio dela, \u00e9 poss\u00edvel dividir uma regi\u00e3o geogr\u00e1fica em por\u00e7\u00f5es menores com base nos grupos de esp\u00e9cies de cada \u00e1rea.<\/p>\n<div class=\"pullquote\">Foram compiladas 218 localidades, que juntas contabilizaram 198 esp\u00e9cies de serpentes<\/div>\n<p>Em um estudo recente, analisamos quais processos causariam a regionaliza\u00e7\u00e3o das serpentes na mata atl\u00e2ntica. Procuramos informa\u00e7\u00f5es sobre as serpentes da mata atl\u00e2ntica na literatura especializada e consultamos dezenas de especialistas que colaboraram com dados valiosos sobre estudos que conduziram.<\/p>\n<p>Ao final, foram compiladas 218 localidades, que juntas contabilizaram 198 esp\u00e9cies de serpentes. Esse n\u00famero sobe para 219 esp\u00e9cies se considerarmos algumas serpentes que n\u00e3o foram encontradas pelos invent\u00e1rios compilados \u2013 esp\u00e9cies end\u00eamicas de ilhas, como a jararaca-ilhoa (<em>Bothrops insularis<\/em>) ou muito raras, como a jiboia-de-Cropan (<em>Corallus cropanii<\/em>).<\/p>\n<p>Os resultados encontrados mostram que as comunidades de serpentes na mata atl\u00e2ntica podem ser divididas em seis sub-regi\u00f5es. Embora algumas esp\u00e9cies sejam observadas por quase todo o bioma, como a cobra-cip\u00f3 (<em>Philodryas olfersii<\/em>) e a caninana (<em>Spilotes pullatus<\/em>), h\u00e1 serpentes que s\u00f3 vivem no norte da mata atl\u00e2ntica, como a corredeira-da-mata (<em>Dendrophidion atlantica<\/em>) e outras encontradas apenas no sul, como a nariguda-da-praia (<em>Xenodon dorbignyi<\/em>). H\u00e1 tamb\u00e9m esp\u00e9cies t\u00edpicas de outros biomas que podem ser encontradas no oeste da mata atl\u00e2ntica, como a cobra-d\u2019\u00e1gua-de-Herrmann (<em>Hydrodynastes bicinctus<\/em>).<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m indicou que a organiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dessas seis sub-regi\u00f5es pode estar ligada ao clima, especialmente \u00e0s varia\u00e7\u00f5es na temperatura e na quantidade de chuvas ao longo da mata atl\u00e2ntica. Serpentes s\u00e3o animais ectot\u00e9rmicos e, como tal, dependem das condi\u00e7\u00f5es ambientais para regular a temperatura do corpo. Em regi\u00f5es tropicais, a dificuldade das serpentes n\u00e3o \u00e9 se manter aquecidas, mas refrigeradas. Por isso, a quantidade de chuvas tamb\u00e9m \u00e9 importante, pois serpentes bem hidratadas estariam menos sujeitas ao superaquecimento.<\/p>\n<p>Outro achado interessante \u00e9 que a varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica ao longo dos \u00faltimos mil\u00eanios tamb\u00e9m ajuda a explicar como as diferentes esp\u00e9cies de serpentes se distribuem na mata atl\u00e2ntica nos dias de hoje. \u00c1reas com relevo complexo, como regi\u00f5es serranas, teriam sido menos afetadas pelas mudan\u00e7as ambientais no passado, possuindo maior estabilidade clim\u00e1tica e possibilitando a sobreviv\u00eancia hist\u00f3rica de esp\u00e9cies adaptadas a esse tipo de h\u00e1bitat, como a mu\u00e7urana-da-serra (<em>Mussurana montana<\/em>).<\/p>\n<p>A regionaliza\u00e7\u00e3o das serpentes da mata atl\u00e2ntica \u00e9 um passo importante para compreendermos melhor v\u00e1rios aspectos da biologia desses animais. Se fatores clim\u00e1ticos como a temperatura e a chuva influenciam a distribui\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia das serpentes, o que poder\u00e1 acontecer se o cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sob influ\u00eancia humana n\u00e3o for controlado? Pesquisas que busquem responder essas e outras perguntas poder\u00e3o auxiliar no planejamento de estrat\u00e9gias para a conserva\u00e7\u00e3o dessa exuberante floresta tropical e de sua rica biodiversidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Henrique Caldeira Costa<\/strong><br \/>\nDepartamento de Zoologia<br \/>\nUniversidade Federal de Minas Gerais<br \/>\n<strong>Ant\u00f4nio Jorge S. Arg\u00f4lo<\/strong><br \/>\nDepartamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas<br \/>\nUniversidade Estadual de Santa Cruz<br \/>\n<strong>Mario Ribeiro Moura<\/strong><br \/>\nInstituto de Biologia<br \/>\nUniversidade Federal de Uberl\u00e2ndia<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/cienciahoje.org.br\">Ci\u00eancia Hoje<\/a>.<\/p>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mata atl\u00e2ntica, que j\u00e1 se estendeu por mais de um milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1268717,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8406,8197,8217],"tags":[4372,7816,18979,18977,18978,4462,18655,4935],"class_list":["post-1264160","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-animais-selvagens","category-conhecimento-e-curiosidades","category-natureza","tag-biologia","tag-caninana","tag-cobra-cipo","tag-jararaca-ilhoa","tag-jiboia-de-cropan","tag-mata-atlantica","tag-piaui","tag-rio-grande-do-sul"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1264160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1264160"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1264160\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1268718,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1264160\/revisions\/1268718"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1268717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1264160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1264160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1264160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}