{"id":1190419,"date":"2026-09-21T01:13:39","date_gmt":"2026-09-21T04:13:39","guid":{"rendered":"http:\/\/super.abril.com.br\/?p=301010"},"modified":"2026-09-21T16:09:27","modified_gmt":"2026-09-21T19:09:27","slug":"grandes-invencoes-da-idade-media-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1190419","title":{"rendered":"Grandes inven\u00e7\u00f5es da Idade M\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"1335715162\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n<h3>Moinhos<\/h3>\n<p><strong>O combust\u00edvel do progresso.<\/strong><\/p>\n<p>Mecaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma palavra que as pessoas costumam associar \u00e0 Idade M\u00e9dia. E, no entanto, qualquer artes\u00e3o vivendo em uma cidade medieval provavelmente teria mais familiaridade com engrenagens e polias que algu\u00e9m vivendo na Roma Antiga. Com uma economia baseada em servos \u2013 um recurso em quantidade limitada, que n\u00e3o podia ser explorado at\u00e9 a exaust\u00e3o, como os escravos do auge de Roma \u2013, se tornou mais atraente substituir a energia humana. A maior revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da Idade M\u00e9dia parte de uma heran\u00e7a da Antiguidade, os moinhos de \u00e1gua, e uma cria\u00e7\u00e3o medieval, os moinhos de vento.<\/p>\n<p>Os primeiros eram uma vis\u00e3o universal onde houvesse rios. Os segundos foram inventados na P\u00e9rsia, em algum ponto entre os s\u00e9culos 8 e 10, e importados pelos \u00e1rabes, via Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Esses moinhos eram diferentes da forma tipicamente europeia: seu eixo ficava na vertical, com as p\u00e1s deitadas (imagine uma roda d\u2019\u00e1gua virada de lado). O moinho vertical, estilo Dom Quixote, surgiu mais ao Norte, na Fran\u00e7a, Holanda e Inglaterra, no s\u00e9culo 12, e n\u00e3o \u00e9 claro se tiveram antes contato com o moinho horizontal.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/si_idade_media_tecnologia_1.jpg\" \/><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Essas duas m\u00e1quinas medievais levaram a uma enorme sofistica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. N\u00e3o eram usadas s\u00f3 para o que o nome diz, moer gr\u00e3os, mas tamb\u00e9m operavam serralherias, elevadores, guindastes, pedras de afiar espadas, m\u00e1quinas de triturar p\u00f3lvora, martinetes (grandes martelos autom\u00e1ticos, usados em forjas), bombas de \u00e1gua: a Holanda conseguiria ter 17% de seu territ\u00f3rio abaixo do n\u00edvel do mar gra\u00e7as a moinhos de vento.<\/p>\n<p>Crucialmente, foi ainda na Idade M\u00e9dia que parte da ind\u00fastria t\u00eaxtil se mecanizou: a produ\u00e7\u00e3o de l\u00e3 usava de martelos mec\u00e2nicos para tratar a l\u00e3 crua e foi pela disponibilidade de energia hidr\u00e1ulica que ela migrou para regi\u00f5es como Manchester. No s\u00e9culo 18, seria a ind\u00fastria t\u00eaxtil \u2013 e inicialmente com for\u00e7a hidr\u00e1ulica \u2013 a dar partida na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<h3>Aut\u00f4matos<\/h3>\n<p><strong>Rob\u00f4s medievais.<\/strong><\/p>\n<p>Eles existem desde a Antiguidade e serviam principalmente para impressionar as visitas. Em 919, o embaixador italiano Liuprando de Cremona descreveu uma visita a Constantinopla na qual a sala do imperador Te\u00f3filo inclu\u00eda le\u00f5es que abriam a boca para rugir e atingiam o ch\u00e3o com suas caudas, p\u00e1ssaros mec\u00e2nicos em \u00e1rvores artificiais que cantavam, e o pr\u00f3prio trono que podia se elevar ou descer automaticamente.<\/p>\n<p>O engenheiro isl\u00e2mico Ismail al-Jazari (1136-1206) descreveu aut\u00f4matos em seu <em>Livro do Conhecimento de Dispositivos Mec\u00e2nicos Engenhosos<\/em>. Rel\u00f3gios de igrejas podiam incluir figuras m\u00f3veis. O cavaleiro Roberto 3\u00ba, Conde de Artois, criou uma esp\u00e9cie de parque tem\u00e1tico de aut\u00f4matos, um jardim com macaquinhos, le\u00f5es, aves, homens e fontes autom\u00e1ticas.<\/p>\n<h3>Rel\u00f3gio mec\u00e2nico<\/h3>\n<p><strong>\u00c1gua, merc\u00fario e pesos.<\/strong><\/p>\n<p>Os europeus medievais herdaram dos romanos rel\u00f3gios hidr\u00e1ulicos simples. Gotas ca\u00edam de um recipiente para outro, de forma regular, e as horas eram marcadas pelo n\u00edvel da \u00e1gua. Isso come\u00e7ou a mudar quando o rei Afonso 6o de Le\u00e3o e Castela conseguiu ter em m\u00e3os um tomo \u00e1rabe: O <em>Livro dos Segredos e Resultados de Ideias<\/em>, do engenheiro andaluz Ali Ibn Khalaf al-Muradi. Entre diversas maravilhas tecnol\u00f3gicas, estava um luxuoso rel\u00f3gio hidr\u00e1ulico no qual merc\u00fario, n\u00e3o \u00e1gua, movia mecanismos complexos, incluindo at\u00e9 aut\u00f4matos para dar as horas de forma mais espetacular.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/si_idade_media_tecnologia_2.jpg\" \/><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os europeus adotaram e acabaram por superar a complexidade, ao criar rel\u00f3gios puramente mec\u00e2nicos, funcionando por meio de pesos, no s\u00e9culo 13. Alguns deles simplesmente badalavam para indicar as horas, sem um mostrador externo. Outros eram mais complexos que os rel\u00f3gios de hoje, mostrando, al\u00e9m das horas, informa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas, como as fases da Lua e o movimento dos planetas.<\/p>\n<p>Rel\u00f3gios contribu\u00edram para o refino das t\u00e9cnicas de engenharia ao solucionar um desafio dif\u00edcil de resolver antes da precis\u00e3o da Era Industrial: como produzir movimento em velocidade cuidadosamente regulada, algo que os moinhos n\u00e3o eram capazes. O desenvolvimento dos rel\u00f3gios acabou tamb\u00e9m sofisticando outros dispositivos.<\/p>\n<h3>Trabuco<\/h3>\n<p><strong>A m\u00e3e de todas as catapultas.<\/strong><\/p>\n<p>Pode soer engra\u00e7ado, mas este \u00e9 o nome em portugu\u00eas para o famoso tr\u00e9buchet dos videogames. A palavra \u00e9 antiga na l\u00edngua: os portugueses o conheceram espetacularmente no Cerco de Lisboa, em 1147, trazido por seus aliados cruzados. Os dois trabucos constru\u00eddos ali eram capazes de disparar um proj\u00e9til a cada 15 segundos. E eram provavelmente de um tipo menos impressionante: no lugar de usar um contrapeso gigante, as pedras eram disparadas por meio de soldados puxando manualmente cordas para fazer o bra\u00e7o se mover.<\/p>\n<p>Uma inven\u00e7\u00e3o chinesa, importada pelos mong\u00f3is. O ic\u00f4nico e gigantesco trabuco de contrapeso tem sua primeira refer\u00eancia em 1187, por um autor isl\u00e2mico, Mardi ibn Ali al-Tarsusi, comentando sobre as batalhas de Saladino \u2013 ele aparece nas m\u00e3os dos europeus.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/si_idade_media_tecnologia_3-1.jpg\" \/><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Essas foram as maiores catapultas j\u00e1 vistas: estima-se que o maior de todos os trabucos, o Warwolf, usado no Cerco do Castelo de Stirling, em 1304, pelo rei Eduardo 1\u00ba da Inglaterra, tivesse mais de 100 metros de bra\u00e7o e um contrapeso de at\u00e9 15 toneladas, precisando de 30 carro\u00e7as para ser carregado. Era capaz de disparar pedras de at\u00e9 140 kg a 190 km\/h, com um alcance de 200 m. A guarni\u00e7\u00e3o do castelo se rendeu s\u00f3 de ver a m\u00e1quina. Mas o rei n\u00e3o quis saber: primeiro derrubou os muros com o Warwolf e s\u00f3 ent\u00e3o aceitou a rendi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trabucos seriam usados at\u00e9 o Cerco de Tenochtitl\u00e1n, por Cortez, em 1521 \u2013 j\u00e1 tinham sido tornados obsoletos por canh\u00f5es e morteiros, m\u00e1quinas mais potentes e mais simples, mas faltou p\u00f3lvora aos espanh\u00f3is.<\/p>\n<h3>Cavalaria<\/h3>\n<p><strong>Guerra em 4 patas.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o foi realmente o estribo, introduzido na Europa no fim do s\u00e9culo 6 por invasores asi\u00e1ticos, que levou \u00e0 era da cavalaria. O estribo permitia ao cavaleiro se equilibrar para usar a espada, e tornava mais f\u00e1cil subir com armadura pesada. Mas a arma principal da cavalaria era a lan\u00e7a, e essa j\u00e1 era usada desde a Antiguidade.<\/p>\n<p>A alma da cavalaria estava na sela: selas altas e r\u00edgidas de madeira, acolchoadas, como n\u00e3o havia antes, que era o que segurava o impacto da for\u00e7a do cavalo transmitida pela lan\u00e7a, e impedia o cavaleiro de ser jogado para tr\u00e1s. Ra\u00e7as de cavalos maiores e mais fortes tamb\u00e9m foram desenvolvidas na \u00e9poca.<\/p>\n<h3>Fogo grego<\/h3>\n<p><strong>A defesa do Imp\u00e9rio.<\/strong><\/p>\n<p>Lan\u00e7a-chamas foram inventados na Idade M\u00e9dia pelos bizantinos (que chamavam a si pr\u00f3prios de romanos, mas eram conhecidos, por sua l\u00edngua, como gregos). Era uma arma espetacular: ela disparava um l\u00edquido pegajoso que conseguia queimar mesmo por cima da \u00e1gua, como o napalm moderno. Acredita-se que era, como o napalm, um derivado do petr\u00f3leo. Para disparar o fogo grego, outra inven\u00e7\u00e3o realmente avan\u00e7ada: uma esp\u00e9cie de panela de press\u00e3o, na qual uma fornalha causava a pressuriza\u00e7\u00e3o do l\u00edquido incendi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Vers\u00f5es de infantaria usavam uma esp\u00e9cie de seringa gigante, com o \u00eambolo pressionado manualmente para disparar o l\u00edquido. O fogo grego foi a espetacular linha de defesa do Imp\u00e9rio Romano do Oriente contra os \u00e1rabes, e ainda era usado na Primeira Cruzada (1099). Mas, na \u00e9poca da Quarta Cruzada (1204), a receita parece j\u00e1 ter sido perdida. Ningu\u00e9m sabe exatamente quando ou por qu\u00ea.<\/p>\n<h3>Ribaldequim<\/h3>\n<p><strong>Metralhadora primordial.<\/strong><\/p>\n<p>A primeira men\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00f3lvora na Europa \u00e9 de 1267, pelo monge franciscano Roger Bacon. Ele descrevia uma receita usando salitre que produzia \u201cartificialmente um fogo que pode ser lan\u00e7ado a grandes dist\u00e2ncias\u201d e torna \u201cposs\u00edvel destruir uma vila ou um ex\u00e9rcito\u201d. Mas as armas de fogo mesmo s\u00f3 chegariam muito depois, com as primeiras evid\u00eancias na d\u00e9cada de 1320. Eram canh\u00f5es de pequeno porte, alguns deles disparando flechas met\u00e1licas, e canh\u00f5es de m\u00e3o \u2013 tubos segurados com uma forquilha e acesos com uma mecha.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"abrAD_rectangle2\" class=\"abrAD\" data-ad-sizes=\"300x250\"><\/div>\n<\/div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/si_idade_media_tecnologia_6.jpg\" \/><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Como a tecnologia n\u00e3o permitiria criar canh\u00f5es maiores, a solu\u00e7\u00e3o foi unir v\u00e1rios deles numa pe\u00e7a s\u00f3. Foi assim que surgiu o ribaldequim, ou arma de \u00f3rg\u00e3o, mencionado pela primeira vez no Saque de Southampton, em 1338, e depois na Batalha de Cr\u00e9cy, 1346. O ribaldequim era uma arma de 12 canos que disparavam simultaneamente, numa saraivada brutal, mas com longo tempo de recarga.<\/p>\n<h3>Colar de cavalo<\/h3>\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o verde.<\/strong><\/p>\n<p>Parece bobagem, mas aquela cinta em volta do pesco\u00e7o do cavalo, que \u00e9 usada para puxar a carro\u00e7a, foi fundamental. Inventada na China, chegou \u00e0 Europa no s\u00e9culo 10. E permitiu a cria\u00e7\u00e3o do arado pesado, substituindo os antigos arados puxados por bois. Cavalos s\u00e3o mais r\u00e1pidos, fortes e resistentes e o arado permitiu a solos antes dif\u00edceis, principalmente no norte da Europa, serem finalmente cultivados.<\/p>\n<p>Pela mesma \u00e9poca, tamb\u00e9m foi criado o sistema de rota\u00e7\u00e3o de culturas, preservando a fertilidade do solo por meio do plantio alternado. Essa \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d medieval contribuiu com o aumento de 70% da popula\u00e7\u00e3o entre os s\u00e9culos 11 e 14.<\/p>\n<h3>\u00d3rg\u00e3o<\/h3>\n<p><strong>Extrema complexidade em nome da m\u00fasica.<\/strong><\/p>\n<p>Os \u00f3rg\u00e3os foram inventados na Antiguidade e preservados pelo Imp\u00e9rio Romano do Oriente. Em 757, o imperador Constantino 5\u00ba deu um deles de presente ao rei franco Pepino, o Breve, dando origem ao que se tornaria o mecanismo mais complexo conhecido pela humanidade at\u00e9 a Era Industrial.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 10, o primeiro \u00f3rg\u00e3o cuja descri\u00e7\u00e3o detalhada sobreviveu foi instalado na Catedral de Winchester (Inglaterra). Tinha 400 tubos, operados por duas pessoas nos teclados e 70 movendo os foles que proviam o ar comprimido para fazer a coisa funcionar.<\/p>\n<h3>Duomo de Floren\u00e7a<\/h3>\n<p><strong>Uma joia da engenharia.<\/strong><\/p>\n<p>Filippo Brunelleschi, um ourives, ganhou em 1418 uma tarefa aparentemente imposs\u00edvel: superar o Pante\u00e3o de Roma, o maior domo do mundo havia 1.300 anos. Estudando o pr\u00f3prio Pante\u00e3o, ele conseguiu entender a forma como fora constru\u00eddo \u2013 com um grande suporte interno de madeira. Brunelleschi fez as contas e concluiu que toda a madeira em Floren\u00e7a n\u00e3o seria o suficiente. Al\u00e9m disso, o domo tinha que ficar acima da estrutura j\u00e1 constru\u00edda da catedral da cidade, que era octogonal e irregular.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Brunelleschi fez tudo diferente: projetou n\u00e3o um, mas dois domos conc\u00eantricos sustentados por arcos de tijolos e grandes an\u00e9is de metal, madeira e pedra, constru\u00eddos de baixo para cima, cuidadosamente ao longo de 16 anos.<\/p>\n<p>O interior, oco, servia para diminuir o peso e para ocultar as estruturas de sustenta\u00e7\u00e3o. No final das contas, em 1436, a cidade tinha um domo com um di\u00e2metro maior que o do Pante\u00e3o: 45 metros internos, versus 43, e espetacularmente mais alto, terminando em 114 metros de altura. Para fazer algo assim \u2013 e o m\u00e9todo exato ainda hoje \u00e9 um mist\u00e9rio, porque o arquiteto nunca deixou seus planos por escrito \u2013 ele teve que inventar guindastes capazes de levar material pesado a mais de 100 metros.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/si_idade_media_tecnologia_5.jpg\" \/><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>O impacto iria muito al\u00e9m da arquitetura. Num sentido cultural, d\u00e1 para marcar o fim da Idade M\u00e9dia com a conclus\u00e3o do domo. O esp\u00edrito da Renascen\u00e7a primordial havia sido lamentar o mundo presente como decadente em compara\u00e7\u00e3o aos antigos. Foi o que fez Petrarca ao inventar o termo Idade das Trevas. O Duomo de Floren\u00e7a provava, para al\u00e9m de qualquer d\u00favida, que, mais do que recuperar o mundo antigo, era poss\u00edvel super\u00e1-lo. E isso j\u00e1 havia sido feito.<\/p>\n<h3>Pequenas maravilhas medievais<\/h3>\n<p><strong>Inventos que mudaram o mundo de formas mais sutis.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Roca<\/strong><\/p>\n<p>Uma m\u00e1quina movida a pedais que fazem girar uma roda para transformar fibras vegetais ou l\u00e3 natural em fios. At\u00e9 sua inven\u00e7\u00e3o, provavelmente no mundo isl\u00e2mico, no s\u00e9culo 11, essa era uma fase extremamente dif\u00edcil da produ\u00e7\u00e3o de roupas. A roca foi parte do que permitiu a produ\u00e7\u00e3o de tecidos em escala, que seria um dos pontos de partida da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p><strong>Chamin\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Outra figura universal da ind\u00fastria \u00e9 cria\u00e7\u00e3o da Idade M\u00e9dia. Surgida no norte europeu no s\u00e9culo 12, permitiu o conforto das lareiras, mas tamb\u00e9m fogo em espa\u00e7os internos, levando a fornos dom\u00e9sticos e instala\u00e7\u00f5es industriais.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/si_idade_media_tecnologia_4-e1586292599720.jpg\" \/><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Janela de vidro<\/strong><\/p>\n<p>O vidro j\u00e1 era usado em Roma, mas a t\u00e9cnica se perdeu e teve que ser recriada. Primeiro vieram os belos vitrais das Igrejas, depois as primeiras janelas transparentes. Grandes discos de vidro transparente, desenvolvidos na Fran\u00e7a, em 1320, permitiram pela primeira vez olhar atrav\u00e9s da janela.<\/p>\n<p><strong>Espelho<\/strong><\/p>\n<p>Um espelho no sentido atual \u00e9 uma placa de vidro com um lado metalizado. Antes, as pessoas podiam se enxergar em placas de metal polido, que perdiam o brilho rapidamente. Os primeiros espelhos surgiram em Veneza, usando uma liga de estanho e merc\u00fario derretido diretamente sobre o vidro.<\/p>\n<p><strong>\u00d3culos<\/strong><\/p>\n<p>Mais um resultado da evolu\u00e7\u00e3o do vidro, \u00f3culos foram inventados em Pisa ou Veneza em algum ponto entre 1285 e 1289. No come\u00e7o, convexos, serviam para tratar apenas hipermetropia e presbiopia (problemas de vis\u00e3o de curta dist\u00e2ncia, o primeiro de nascen\u00e7a, o segundo causado pela idade). \u00d3culos de miopia, c\u00f4ncavos, s\u00f3 viriam em 1604.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1380021\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/MINI-noticias-removebg.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/p>\n<div id=\"abrAD_rectangle3\" class=\"abrAD\" data-ad-sizes=\"300x250\"><\/div>\n<\/div>\n<p><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<!-- leolib10_main_Blog1_1x1_as --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block;\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"8862998544\" data-ad-format=\"auto\" data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moinhos O combust\u00edvel do progresso. 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